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ESPECULAÇÕES SOBRE O FIM DO MUNDO: SERÁ EM 2012?

Há poucos dias, recebi em minha residência um jornalista, pedindo que, se fosse possível, eu falasse sobre o filme e a questão do fim do mundo em 2012. Há especulações de muitos, sobre esse ano. A curiosidade e a apreensão são generalizadas, tanto no meio popular, como em outras camadas da sociedade, embora e, de maneira especial, no mundo esotérico, ocultista e grupos diversos que tem satisfação em alimentar expectativas em relação ao futuro.

Para responder a estas especulações, procurei uma fonte fidedigna: um expert em matéria de astronomia, ligado ao grande Observatório do Vaticano: o Irmão Jesuíta Guy Consolmagno. Ele é um americano que trabalha já há muitos anos no Observatório Astronômico do Vaticano e é grande perito no assunto. Com a bagagem que tem a respeito, o mesmo deu uma bela e longa entrevista ao Jornal Italiano L’osservatore Romano. Penso que se trata de uma fonte segura para responder ao jornalista que me procurara e a todos os que, certamente, tem curiosidade ante as várias opiniões que circulam por aí, desde as mais sensatas até as mais ridículas.

A Jornalista italiana Gianluca Biccini pergunta: Teremos o mesmo fim dos dinossauros? Talvez sim! Mas, tranquilamente, não em 2012. Bento XVI, alicerçado nesse grande astrônomo, Jesuíta e perito no assunto, diz: “(...) não há nenhum crédito a prognósticos improváveis do futuro já estigmatizados”. Guy, que trabalhou durante anos, com o rigor científico, no Observatório do Vaticano, disse: “(...) em tempos de crise, os profetas de desventuras sempre realizam negócios de ouro: o filme 2012 desbanca a bilheteria e os trágicos prognósticos atribuídos ao calendário dos inocentes Maias reacenderam os refletores sobre o fim do mundo”. A jornalista entrevistou Guy Consolmagno na Universidade do Arizona e no Observatório no Monte Graham, com o moderno telescópio do Vaticano de tecnologia avançada. Guy, nessa entrevista, faz uma explanação sobre a questão da estrela relacionada ao Natal, na qual os pastores e os reis magos se guiaram para descobrir onde estava o menino Jesus. Caro leitor! Não vou expor toda a entrevista nesse assunto, pois é longa. No entanto, vou me deter mais na atual questão: a de 2012.

A entrevistadora desafia Guy com a seguinte explanação: “Uma boa notícia, de forma especial no caso de evacuação forçada do planeta. Além disso, filmes, horóscopos e livros recordam-nos continuamente que nos devemos preparar para o pior”. Respondendo à questão o Irmão responde: “Os homens predizem o fim do mundo desde as origens da humanidade. Até agora, nenhuma dessas teorias se revelou verdadeira. Não existe motivo algum para crer que as de 2012 o sejam. Mas, ao mesmo tempo é fácil sorrir desses receios, pois, existe um mal mais grave atrás deles: essas crenças proliferam porque todos nós nos sentimos tentados pelo desejo de possuir um ‘conhecimento secreto’ do futuro, como se isto nos tornasse mais poderosos do que os outros. Na realidade isto ‘é só um sinal de má ciência ou de má religião’”. E pergunta ainda a entrevistadora: “A astronomia pode prever o futuro sem degenerar em astrologia?”. Guy responde: “somente sentido de que a observação dos fenômenos celestes permita colocar hipóteses de possíveis catástrofes das quais poderíamos ter consciência. Além disso, cometas e asteróides atingem a Terra continuamente. Na maioria são pequenos corpos que passam despercebidos. Entretanto, um grande evento como se verificou em 1908 na Sibéria, nas proximidades de Tunguska, causando uma explosão comparável à de uma bomba atômica, pode ocorrer uma vez a cada cem anos. Até o momento presente os impactos verificaram-se nos oceanos ou em terras desabitadas, mas cedo ou tarde um desses corpos atingirá uma área com maior densidade populacional. Por um lado, os impactos mais comuns são os menores, por outro, são também os mais difíceis de ser relevados antes que aconteçam. O impacto da importância que extinguiu os dinossauros há 65 milhões de anos provavelmente aconteça uma vez em cada cem milhões de anos”.

A entrevistadora indaga o astrônomo se podemos estar tranquilos ainda por milhões de anos. Guy, rebatendo, responde: “independente da raridade do fenômeno, vale a pena sempre perscrutar os céus e procurar determinar se algum dos cem mil asteróides conhecidos pode cruzar a órbita da terra num futuro previsível. Significa também que vale a pena utilizar o nosso tempo para compreender de que modo estes asteróides e cometas são compostos, para poder entender melhor de como os desviar no caso de algum deles entrar na rota de colisão com o nosso planeta”.

A jornalista ainda fez uma colocação até, de certa forma, irônica e provocadora para nós, quando afirmou a Guy: “De qualquer maneira, antes de nos preocupar com ameaças externas, talvez fosse melhor preservar a terra das devastações produzidas pelo homem”. Guy, a respeito, diz: “Certamente. Mas o discurso é complexo. Quanto mais as áreas urbanas se tornam habitadas tanto mais dependemos da tecnologia para sobreviver. Os sistemas hídricos e os tratamentos de água, a eletricidade, os transportes públicos são necessários para nos manter aquecidos, nutridos e saudáveis. Definitivamente, dependemos uns dos outros. Não podemos viver egoisticamente porque, com efeito, somos os guardas dos nossos irmãos”.

Por ocasião do dia Mundial da Paz, o Papa Bento XVI disse: “(...) se quiseres cultivar a paz preserva a Criação”. O Papa está consciente de que podemos causar ou impedir desastres ambientais de acordo com o modo que tratarmos a Terra. Infelizmente, o tema do aquecimento global foi politizado e muitos assumem posições que prescindem à ciência. É verdade que, além da atividade humana, muitos fatores podem causar o aquecimento global, mas os únicos os quais podemos controlar são os descartáveis no caminho empreendido para, dessa forma tentarmos reduzir a enorme emissão de dióxido de carbono na atmosfera.

Caro leitor! Tentei resumir nesse texto da forma mais clara o possível a longa entrevista que este astrônomo, Ir. Guy Consolmagno, religioso Jesuíta, deu em relação à questão do fenômeno de 2012. Ele que, ao encerrar a entrevista, num tom jocoso, afirmou: “Nenhum pânico. Bastam duas medidas de precaução para aumentar as possibilidades de uma vida longa e sadia: deixar de fumar e usar os cintos de segurança”.


(cf.: Jornal L’osservatore Romano. Ano XLI. número 3. 16/01/ 2010).

Síntese: Pe. Ari Antônio da Silva