
PODE-SE CONSTRUIR UMA NOVA SOCIEDADE APENAS POR UM NOVO MODELO ECONÔMICO BASEADO NO AMOR
A palavra “amor” é usada hoje, para tudo e para qualquer coisa. Houve um esvaziamento da mesma. Ao procurarmos o sentido real da palavra, veremos que essa tem na raiz um sentido profundo, concreto, de compromisso, solidariedade e justiça para com os irmãos. Pois, assim é que Jesus nos ensinou e deu o maior exemplo, dando sua vida por “amor” em favor de todos nós. A sociedade hoje, e os seus líderes falam muito em paz, amor e justiça. Contudo, mesmo que muitos tenham boa intenção, são discursos moralistas e vazios. Nesse tempo da quaresma, a Igreja nos convida a revisarmos nosso comportamento frente às coisas, às riquezas e ao dinheiro. Não podemos absolutizar o dinheiro, os bens materiais. Usá-los sim, mas, sem fazer deles um “deus” imanente e materialista. É bom usufruir daquilo que produzimos com nossa inteligência. Entretanto, o problema em geral, está no seu mau uso. Pois, bens materiais, riquezas, em si, não são bons nem maus, pois, na prática sempre depende da intenção que fazemos dos mesmos. Na linguagem popular, a palavra “justiça” tem o significado de “dar a cada um o que é seu”. Essa é uma expressão dada por um jurista romano chamado Ulpiano. No entanto, no sentido cristão, justiça vai além de dar unicamente o que pertence a alguém. Esse conceito de justiça é limitado, pois o ser humano precisa de algo mais íntimo, como diz Bento XVI: “(...) Precisa de algo que lhe pode ser concedido apenas gratuitamente: poderíamos dizer que o homem vive daquele amor que só Deus lhe pode comunicar” (cf. L’Osservatore Romano. nº6. Fevereiro de 2010. p.3). E o Papa ainda acrescenta: “(...) a justiça distributiva não restitui ao ser humano todo o ‘seu’ que lhe é devido. Como e mais do que pão, de fato ele precisa de Deus” (cf. ibidem).
O USUFRUTO DOS BENS, A JUSTIÇA E O CONSUMO DESMEDIDO.
O grande desafio na atualidade, frente às maravilhas que o homem criou, e, continua criando, é ser educado desde a tenra idade a consumir, mas, ao mesmo tempo, ter critérios claros do que necessitamos ante a abundância de ofertas de produtos variados, daquilo que é supérfluo e que, muitas vezes, nem sabemos exatamente sua utilidade. É partindo dessa realidade que precisamos estimular o consumo de coisas boas e necessárias, mas, de forma consciente e responsável, até porque nosso planeta tem recursos que não são renováveis e vão se esgotar a médio e longo prazo. E as gerações do futuro? O consumo gera empregos, mas, por outro lado, não significa adquirir tudo o que vemos pela frente. O equilíbrio no consumo garante uma sociedade saudável, assim também como dinamiza a economia que gira com solidez e sustentabilidade. As escolas de Marketing são hábeis na indução de consumir, e fazem o seu papel, contudo, uma formação adequada e criteriosa de como e o que consumir salvaria muitas pessoas e famílias da inadimplência, bem como daria ao mercado segurança nos seus negócios. A falta de controle com os ganhos leva muita gente a se endividar, e isso é ruim para a sociedade como um todo.
A JUSTIÇA, A ECONOMIA E OS BENS TRAZEM UM SENTIDO MAIS PROFUNDO DO QUE O OFERECIDO PELO MARKETING.
Bento XVI, na mensagem da quaresma afirma: “(...) temos a tentação de individuar a origem do mal numa causa exterior (...) a injustiça vem de fora, para que reine a mesma é suficiente remover as causas externas que impedem a sua atuação” (cf. ibidem). O Papa ainda comentando o conceito dessas ideologias modernas, nas quais o problema das injustiças é de natureza externa, rebate, dizendo: “(...) o próprio Jesus chama isso de visão míope e ingênua, pois, a injustiça é fruto do mal, cujas raízes têm origem no coração do homem, onde se encontra os germes de misteriosa conivência com o mal”. O homem contemporâneo, ao negar sua transcendência como essência de sua estrutura, dificulta sua visão de perceber a fonte da injustiça. Pressupondo essa realidade, Bento XVI, diz: “(...) a fé não é um fato natural, cômodo e óbvio: é necessário aceitar que é preciso que um ‘Outro’ que me liberte do ‘meu’, para me dar gratuitamente o ‘seu’. Portanto, graças à ação de Cristo, nós podemos entrar na justiça ‘maior’ que é aquela do amor (cf. Rm. 13,8-10), a justiça de quem se sente sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar” (cf.ibidem). A partir dessa experiência de Deus em nossa vida, através dos sacramentos, através da oração, através da meditação da Palavra de Deus é que nos tornamos fortalecidos. Pois o cristão, de modo especial, os católicos e homens de boa vontade, devem sentir-se desafiados a contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário à vida, segundo a própria dignidade de homem e onde a justiça é vivificada pelo amor.
MENSAGEM PARA REFLETIR DURANTE A QUARESMA.
Conscientes que o sistema econômico que sustenta nossa sociedade é um verdadeiro calvário para inúmeros de nossos irmãos, precisamos renovar nosso compromisso na defesa da vida de todos, juntamente com as Igrejas cristãs e as pessoas de boa vontade, pois a economia é a organização da casa para que todos tenham voz e vez. É a justiça de dar a cada um, o que lhe compete, o necessário para uma vida digna. (cf.: Livro de encontro quaresmais - 2010). Pense e reflita!
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O grande desafio na atualidade, frente às maravilhas que o homem criou, e, continua criando, é ser educado desde a tenra idade a consumir, mas, ao mesmo tempo, ter critérios claros do que necessitamos ante a abundância de ofertas de produtos variados, daquilo que é supérfluo e que, muitas vezes, nem sabemos exatamente sua utilidade. É partindo dessa realidade que precisamos estimular o consumo de coisas boas e necessárias, mas, de forma consciente e responsável, até porque nosso planeta tem recursos que não são renováveis e vão se esgotar a médio e longo prazo. E as gerações do futuro? O consumo gera empregos, mas, por outro lado, não significa adquirir tudo o que vemos pela frente. O equilíbrio no consumo garante uma sociedade saudável, assim também como dinamiza a economia que gira com solidez e sustentabilidade. As escolas de Marketing são hábeis na indução de consumir, e fazem o seu papel, contudo, uma formação adequada e criteriosa de como e o que consumir salvaria muitas pessoas e famílias da inadimplência, bem como daria ao mercado segurança nos seus negócios. A falta de controle com os ganhos leva muita gente a se endividar, e isso é ruim para a sociedade como um todo.
A JUSTIÇA, A ECONOMIA E OS BENS TRAZEM UM SENTIDO MAIS PROFUNDO DO QUE O OFERECIDO PELO MARKETING.
Bento XVI, na mensagem da quaresma afirma: “(...) temos a tentação de individuar a origem do mal numa causa exterior (...) a injustiça vem de fora, para que reine a mesma é suficiente remover as causas externas que impedem a sua atuação” (cf. ibidem). O Papa ainda comentando o conceito dessas ideologias modernas, nas quais o problema das injustiças é de natureza externa, rebate, dizendo: “(...) o próprio Jesus chama isso de visão míope e ingênua, pois, a injustiça é fruto do mal, cujas raízes têm origem no coração do homem, onde se encontra os germes de misteriosa conivência com o mal”. O homem contemporâneo, ao negar sua transcendência como essência de sua estrutura, dificulta sua visão de perceber a fonte da injustiça. Pressupondo essa realidade, Bento XVI, diz: “(...) a fé não é um fato natural, cômodo e óbvio: é necessário aceitar que é preciso que um ‘Outro’ que me liberte do ‘meu’, para me dar gratuitamente o ‘seu’. Portanto, graças à ação de Cristo, nós podemos entrar na justiça ‘maior’ que é aquela do amor (cf. Rm. 13,8-10), a justiça de quem se sente sempre mais devedor do que credor, porque recebeu mais do que aquilo que poderia esperar” (cf.ibidem). A partir dessa experiência de Deus em nossa vida, através dos sacramentos, através da oração, através da meditação da Palavra de Deus é que nos tornamos fortalecidos. Pois o cristão, de modo especial, os católicos e homens de boa vontade, devem sentir-se desafiados a contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebem o necessário à vida, segundo a própria dignidade de homem e onde a justiça é vivificada pelo amor.
MENSAGEM PARA REFLETIR DURANTE A QUARESMA.
Conscientes que o sistema econômico que sustenta nossa sociedade é um verdadeiro calvário para inúmeros de nossos irmãos, precisamos renovar nosso compromisso na defesa da vida de todos, juntamente com as Igrejas cristãs e as pessoas de boa vontade, pois a economia é a organização da casa para que todos tenham voz e vez. É a justiça de dar a cada um, o que lhe compete, o necessário para uma vida digna. (cf.: Livro de encontro quaresmais - 2010). Pense e reflita!


