
A MOBILIDADE DO MERCADO DE TRABALHO E A NOVA ESTRATÉGIA DA “FLEXIBILIDADE” PARA ROMPER O TRABALHO REGULAR
A habilidade humana no raciocínio é algo simplesmente extraordinário. Ela é útil tanto para coisas boas, quanto para ludibriar os incautos e despreparados em assuntos que diz respeito à defesa da vida e à dignidade do ser humano. A Campanha da Fraternidade de 2010 tem um objetivo claro, ou seja, desalojar a sociedade da imobilidade e passividade ante os problemas concretos da vida. É aí que entra o problema da economia, para que de forma mais acessível, todos possam entender, estudar, debater o sentido da economia, em geral, dissociada dos problemas concretos da sociedade e que precisa fazer o processo de inclusão naquilo que faz parte do dia a dia de todos nós. Essa é uma função precípua das Igrejas, já que a CF-2010 é ecumênica. Abrir a visão de todos para que a economia volte à sua principal função, ou seja, incentivar o desenvolvimento com responsabilidade social, sustentável em todos os setores, e no final vença e cresça a justiça e o bem comum. Os bens, as riquezas são algo que todos devemos usufruir. É um princípio humano ético e cristão. Com esse engajamento deslumbra uma nova etapa na história. Não podemos ignorar esse momento crítico e deixar passar despercebido o trem da mudança histórica. Poderá não ser atingido o ideal, mas que o básico para cada ser humano viva dignamente, respeitando o meio ambiente e a pessoa como o fim último da economia. Precisamos nos sentir irmãos e co-responsáveis uns pelos outros e louvando a Deus pelos dons que nos deu.
REGRAS ESTRANHAS E TURVAS NOS BASTIDORES DO MERCADO DO TRABALHO
Como professor de antropologia e ética, atingindo vários cursos, desde os de humanidades como pedagogia, história, letras, psicologia e tantas nessa área, até os cursos de administração de empresas, ciências contábeis, Marketing, turismo, comércio exterior, matemática, ciências da computação e etc., às vezes sinto certo constrangimento ante o entusiasmo dos alunos frente ao futuro. A maioria desses são jovens, mas outros já são empresários que atuam na área que estão cursando. Mas o triste e o curioso em tudo isso é ver o otimismo dos mesmos. Ao acompanhar os debates econômicos, as leituras que nos fazem sentir e prever a médio e longo prazo, mudanças muito tímidas e algumas dúbias, fico eu com certo problema de consciência em não dizer toda a verdade em relação à tendência da economia, ou seja, que ao final do curso, um significativo número deles não terão mercado de trabalho, pois a lógica do mesmo não condiz com o princípio da eticidade, apesar, de muitos economistas e grupos conscientes dessa realidade, hoje, lutarem para mudar tal situação. Assim, os alunos irão se defrontar com um mundo complexo, turvo e sem regras, principalmente no que tange o mercado de trabalho. Como só foram “treinados” para o mercado e não para enfrentar a dureza real da vida, a depressão e outras doenças aparecem no cenário dos mesmos. Eis o valor da CF-2010 como contribuição para ajudar a sociedade a ver e participar de forma ativa com caminhos de saída para algo diferente e mais humano.
A VISÃO DO SOCIÓLOGO BAUMANN EM RELAÇÃO À “FLEXIBILIZAÇÃO DO TRABALHO”
De acordo com o Zygmunt Bauman, um dos mais respeitados sociólogos da atualidade, temos, hoje, uma dura realidade: “(...) A pressão hoje, é para romper os hábitos do trabalho regular, permanente, cronometrado, fixo – o que significaria o lema do ‘trabalho flexível’?” Parafraseando Bauman, é fazer os trabalhadores esquecerem, não aprenderem, o que quer que pretenda ensinar-lhes a ética do trabalho nos anos dourados da indústria moderna. Segundo Bauman,“(...) a mão-de-obra só pode tornar-se realmente ‘flexível’ se os empregados, efetivos ou em perspectiva, perderem os hábitos adquiridos do trabalho cotidiano, dos turnos diários, de um local permanente de trabalho e de uma empresa com colegas fixos; só se não habituarem a qualquer a tipo de emprego e, sobretudo, se evitarem ou forem impedidos de desenvolver atitudes vocacionais em relação a qualquer trabalho realizado no momento e abandonarem a tendência mórbida de fantasiar direitos à manutenção do emprego e as responsabilidades inerentes” (cf.: Bauman, Zygmunt. Globalização – As conseqüências humanas. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed. 1999). O autor diz que em 1997 em Hong Kong, os diretores do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, criticaram severamente os métodos alemães e franceses para trazer mais gente de volta ao mercado de trabalho. Significava leis favoráveis demais à proteção do emprego e do salário. Isso contraria a ética do trabalho de maneira sutil. “(...) se faz necessário novas condições que favoreceriam hábitos e atitudes opostos àqueles que a ética do trabalho professava. (...) os trabalhadores devem desaprender a dedicação ao trabalho duramente adquirido e o apego emocional duramente conquistado ao local de trabalho, assim como o envolvimento pessoal no conforto desse ambiente” (cf.ibidem).
“ECONOMIA E VIDA” – NÃO PODEM SER DISSOCIADAS.
A CF-2010 nos chama a atenção para o aprofundamento dessas questões que não aparecem de forma clara, mas veladas sob mecanismos de várias naturezas. É através do diálogo, do debate, da participação com o mundo do capital e seus dirigentes, que podemos fazer avanços significativos para todos, sem guerras, mas, ajustando a vida e o homem com a economia, que sempre deve convergir ao bem de todos. Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS - Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br
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Como professor de antropologia e ética, atingindo vários cursos, desde os de humanidades como pedagogia, história, letras, psicologia e tantas nessa área, até os cursos de administração de empresas, ciências contábeis, Marketing, turismo, comércio exterior, matemática, ciências da computação e etc., às vezes sinto certo constrangimento ante o entusiasmo dos alunos frente ao futuro. A maioria desses são jovens, mas outros já são empresários que atuam na área que estão cursando. Mas o triste e o curioso em tudo isso é ver o otimismo dos mesmos. Ao acompanhar os debates econômicos, as leituras que nos fazem sentir e prever a médio e longo prazo, mudanças muito tímidas e algumas dúbias, fico eu com certo problema de consciência em não dizer toda a verdade em relação à tendência da economia, ou seja, que ao final do curso, um significativo número deles não terão mercado de trabalho, pois a lógica do mesmo não condiz com o princípio da eticidade, apesar, de muitos economistas e grupos conscientes dessa realidade, hoje, lutarem para mudar tal situação. Assim, os alunos irão se defrontar com um mundo complexo, turvo e sem regras, principalmente no que tange o mercado de trabalho. Como só foram “treinados” para o mercado e não para enfrentar a dureza real da vida, a depressão e outras doenças aparecem no cenário dos mesmos. Eis o valor da CF-2010 como contribuição para ajudar a sociedade a ver e participar de forma ativa com caminhos de saída para algo diferente e mais humano.
A VISÃO DO SOCIÓLOGO BAUMANN EM RELAÇÃO À “FLEXIBILIZAÇÃO DO TRABALHO”
De acordo com o Zygmunt Bauman, um dos mais respeitados sociólogos da atualidade, temos, hoje, uma dura realidade: “(...) A pressão hoje, é para romper os hábitos do trabalho regular, permanente, cronometrado, fixo – o que significaria o lema do ‘trabalho flexível’?” Parafraseando Bauman, é fazer os trabalhadores esquecerem, não aprenderem, o que quer que pretenda ensinar-lhes a ética do trabalho nos anos dourados da indústria moderna. Segundo Bauman,“(...) a mão-de-obra só pode tornar-se realmente ‘flexível’ se os empregados, efetivos ou em perspectiva, perderem os hábitos adquiridos do trabalho cotidiano, dos turnos diários, de um local permanente de trabalho e de uma empresa com colegas fixos; só se não habituarem a qualquer a tipo de emprego e, sobretudo, se evitarem ou forem impedidos de desenvolver atitudes vocacionais em relação a qualquer trabalho realizado no momento e abandonarem a tendência mórbida de fantasiar direitos à manutenção do emprego e as responsabilidades inerentes” (cf.: Bauman, Zygmunt. Globalização – As conseqüências humanas. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed. 1999). O autor diz que em 1997 em Hong Kong, os diretores do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, criticaram severamente os métodos alemães e franceses para trazer mais gente de volta ao mercado de trabalho. Significava leis favoráveis demais à proteção do emprego e do salário. Isso contraria a ética do trabalho de maneira sutil. “(...) se faz necessário novas condições que favoreceriam hábitos e atitudes opostos àqueles que a ética do trabalho professava. (...) os trabalhadores devem desaprender a dedicação ao trabalho duramente adquirido e o apego emocional duramente conquistado ao local de trabalho, assim como o envolvimento pessoal no conforto desse ambiente” (cf.ibidem).
“ECONOMIA E VIDA” – NÃO PODEM SER DISSOCIADAS.
A CF-2010 nos chama a atenção para o aprofundamento dessas questões que não aparecem de forma clara, mas veladas sob mecanismos de várias naturezas. É através do diálogo, do debate, da participação com o mundo do capital e seus dirigentes, que podemos fazer avanços significativos para todos, sem guerras, mas, ajustando a vida e o homem com a economia, que sempre deve convergir ao bem de todos. Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS - Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
pearisilva@hotmail.com e www.catedraldepedra.com.br


