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PAUTAR A VIDA PELA GRATUIDADE, COMPAIXÃO E MISERICÓRDIA É “AMAR COMO JESUS AMOU”

Caro leitor! O século XXI iniciou dando um destaque para a volta à espiritualidade. Como premissa, é algo relevante. Contudo, perguntamos: que tipo de espiritualidade permeia nossa sociedade? Essa é a questão! A proliferação de inúmeros tipos de espiritualismos não responde aos questionamentos do homem. Há, hoje, grupos religiosos para todos os gostos, desde os mais exóticos e estranhos até as grandes religiões. Com certeza, no decorrer do século XX, entre os fatos inspirados nos princípios da ideologia iluminista do século XIX, apogeu do racionalismo ao proclamar a razão como “guia infalível de toda a verdade”, e a “FÉ” como um atraso para a humanidade, uma nuvem ofuscou a mesma. Os protagonistas dessas ideologias, bem como outras correntes de pensamento que seguiram os mesmos rumos, desenvolveram com habilidade os “humanismos ateus”, em resposta a todos os problemas de caráter social, políticos, culturais, bem como as grandes perguntas de foro interno do homem, baseados num humanismo horizontalista. Ora, a concretização dessa conduta ao longo do século XX desvinculada da transcendência, nos legou uma história de tragédias e mais tragédias, vidas ceifadas em nome de princípios imanentes que resultou em genocídios vergonhosos, muitos países ficaram abaixo do nível da pobreza extrema, a perda do sentido da vida e como resultado geral criou o caos, a insegurança, o desespero e o medo, assim como as guerras sangrentas e vergonhosas. Então pergunto: isso ocorre em nome de quem e devido a que fator?

DENTRO DESSE QUADRO SINISTRO A IGREJA LUTOU E SOFREU DURAMENTE PARA MUDAR TAL SITUAÇÃO.

Para nos situarmos é necessário nos reportarmos à história. A bíblia sempre ressaltou e o povo se impressionou com a atitude e preferência de Jesus a um amor concreto. Em Mt.25,34-36 lemos: “Vinde benditos de meu Pai, receber por herança o Reino preparado para vós... tive fome e me destes de comer, sede, forasteiro, nu, doente, preso...” Esse texto bíblico sempre comoveu muito os cristãos e, ainda hoje, é considerado como o resumo dos evangelhos. (cf.: Grün, Anselm. Para que o mundo se transforme. Vozes. p.8). Daqui podemos inferir as chamadas sete obras de misericórdia, ou seja, as corporais e as espirituais que a Igreja sempre pregou. As corporais são: 1. Dar de comer aos que tem fome. 2. Dar de beber aos que têm sede. 3. Vestir os nus. 4. Acolher os forasteiros. 5. Dar assistência aos presos 6. Visitar os doentes. 7. Sepultar os mortos. Esse foi o princípio de muitas ordens religiosas, buscando responder à maneira de Cristo o que é explicitado no Evangelho de Mateus. Daí a criação de hospitais, creches, asilos, e mais recentemente, após o Concílio Vaticano II, a Cáritas Internacional com expressiva dedicação da Igreja, Bispos, Sacerdotes, Irmãos(as), Leigos que procuraram colocar na prática os ensinamentos de Cristo. A Cáritas se preocupa com as questões sociais da Igreja no mundo; enfim, na educação em geral: em colégios, universidades e etc. Tudo isso hoje foi institucionalizado. Os governos também assumiram, com as várias secretarias, embora não se isentando a Igreja de engajar-se nesse novo modo de evangelizar. Essa realidade sofreu uma adaptação nos tempos modernos. Isso é positivo!

A TRAGÉDIA DO HAITI E A SOLIDARIEDADE DÁ SINAIS DE NOVOS TEMPOS NA GLOBALIZAÇÃO.

As tragédias naturais aliadas à negligência humana fazem com que o mundo reflita com seriedade a questão da humanização. Novos conceitos da finalidade última da economia, que criaram critérios próprios e independentes da sociedade questionam os critérios da globalização e, de modo especial, da economia com seus derivados. Por que tantas desigualdades num mundo onde há recursos para todos viverem de forma humana? Por que ainda no século XXI pessoas morrem de fome, excluídas e não podem usufruir da tecnologia? As organizações, países e pessoas, como Dra. Zilda Neumann Arns, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce são exemplos de cristãos e pessoas de boa vontade a serviço do irmão! Por que só nos damos conta do egoísmo que reina em nossa sociedade após tragédias como a do Haiti? Para os cristãos as obras de misericórdia sempre são válidas, apesar da roupagem nova em novos tempos. Caro leitor. Pense e reflita!
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