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A FILOSOFIA DE MARTIN BUBER (“Eu X Tu”) E OUTROS COLABORAM PARA A COMPREENSÃO DO HOMEM.

Caro leitor! O ser humano por essência é de natureza social. Contudo, permeia no pensamento contemporâneo, uma atitude contraditória no que diz respeito à vivência do dia a dia. A contra cultura dos anos 60, preconizada por Herbert Marcuse, no primeiro momento foi importante, pois, alertou a sociedade de então, dos perigos que a trajetória da cultura vigente trazia. Urgia ajustes e revisão de paradigmas dúbios. Dentre muitos, a despersonalização das pessoas enquanto indivíduos revestidos da individualidade, ou seja, o respeito à consciência reflexa. A caracterização do homem enquanto “pessoa” estava sendo relegada para um segundo plano. O eco do pensamento de Martin Buber e também Levinás, revitalizaram o sentido mais característico do homem: sua HUMANIDADE. Entretanto, a mudança inspirada no movimento da contra cultura, houve a tentativa de negar toda uma cultura milenar, jogando no lixo, como se essa não tivesse valor algum e os mais radicais se lançaram na busca de respostas em filosofias orientais, como crenças e meditações, valores através de novos caminhos. Idealistas da época persuadiram e influenciaram os veículos de comunicação para criar uma sociedade com base apenas num humanismo místico, imanente, cósmico e universal. Aliás, hoje, essas são as ideologias transversais que constituem atualmente um problema sério na compreensão do homem, bem como para o processo de evangelização. O sincretismo atual assusta. As pessoas não sabem mais o que é certo. Há muitos cursinhos por aí, dado por pessoas despreparadas que mais atrapalham do que ajudam. Na contra cultura rejeitaram inclusive a “Fé Cristã”.

O DESENVOLVIMENTO DE UMA FILOSOFIA MÍSTICA, INTIMISTA E IMANENTE, DESESTRUTURA O HOMEM COMO UM SER DE SIGNIFICADO E SENTIDO.

Caro leitor! O objetivo dessa reflexão não é machucar ninguém e muito menos querer ser dono da verdade. Contudo, sinto-me na obrigação de clarear determinados pontos, já que muitos perguntam preocupados. Não sei mais por onde ando! A intenção de muitos, com certeza é boa, mas não basta ter boa intenção é preciso conhecer com profundidade o que está por trás de certas formas de vida e técnicas que são ensinadas nesses “cursinhos”. Jamais podemos ser felizes sozinhos, cultivando uma espiritualidade individualista, intimista, baseada em determinadas técnicas. Uma espiritualidade madura sempre desemboca e favorece o equilíbrio, não desestrutura a pessoa e, muito menos, altera os seus estados de consciência que tem como conseqüência a perda da identidade do seu “EU”. A individualidade, bem como a identidade da pessoa jamais se pode perder. Cada ser humano é único e irrepetível. Por outro lado, preciso do outro para compartilhar minha vida. Portanto meu “Eu” jamais pode ser anulado para viver o todo diluído em princípios dúbios e excêntricos. É lamentável que o movimento da contra cultura deslizasse para outro extremo, pois, nela havia muitos elementos importantes, como a defesa do meio ambiente, a valorização da pessoa na sua dignidade, as riquezas a serviço do homem e etc. Parece que as coisas caminharam para uma emancipação aleatória do “outro” e de Deus, reduzindo-O a uma “energia”. Deus não é uma energia, se assim fosse não seria Deus. O cristão tem que ter muito cuidado e saber discernir. A filosofia de Martin Buber, Levinás, Gabriel Marcel, Emmanuel Mounier e tantos outros pensadores podem nos ajudar muito para essa reconstrução, bem como as Encíclicas papais para uma saudável espiritualidade que respeite o “EU” e, esse, abra-se para a experiência com Deus.

A EXPERIÊNCIA DE DEUS NA FÉ CRISTÃ.

A experiência de Deus não se esgota no “Eu”, como não se reduz ao um psicologismo, nem na psicanálise e seus arquétipos. “Acedo a Deus se não paro em meu “EU” (cf.Panikkar, Ramón- Ícones do Mistério- Paulinas – p. 82). A experiência de Deus me libera de todo medo. “Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”(cf.Gl.2,20). “A experiência de Deus não é uma possessão é um caminhar com Deus”(cf.ibidem). É colocar-se nos braços do Pai assim como Cristo fazia e nos ensinou. Não preciso de técnicas e sim de total confiança e entrega a Deus. Caro leitor! Pense e reflita.
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