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O TEMPO DE ADVENTO E O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO

Caro leitor! Neste próximo final de semana, a Igreja inicia um Novo Ano Litúrgico. É o tempo que denominamos de “ADVENTO”, tempo de espera e de preparação para a grande solenidade do Natal, ou seja, o Nascimento de Jesus Cristo. A entrada de Jesus na história humana foi um acontecimento único e misterioso e ao mesmo tempo grande para a humanidade. Deus decide entrar na história humana pelas seguintes razões: Vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica nos números 457 a 460: 1. O Logos se encarnou para salvar-nos reconciliando-nos com Deus. 2. O logos se encarnou para que assim conhecêssemos o amor de Deus. 3. O Logos se encarnou para ser nosso modelo de santidade. 4. O Logos se encarnou para tornar-nos participantes da natureza divina. (cf.2Pd.1,4). A inserção na temporalidade de Deus, que assumiu a nossa natureza humana em tudo, exceto no pecado, foi de maneira antinatural, ou seja, através de uma gravidez sem a participação do sêmen masculino humano. Motivo: Jesus sendo Deus, nenhum ser humano teria condição para tal. Então podemos afirmar que houve a intervenção direta de Deus na história humana. Por isso é que se diz: “Ele foi Gerado, não Criado”. É o mistério da Encarnação. Em outras palavras: É a humanação de Deus na temporalidade.


A FIGURA DE MARIA NESSE MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO.

Caro leitor! Certamente a essa altura fica a pergunta. Maria também é um ser humano e por que ela pôde ser a portadora do Deus-menino?
Ora, para que Deus pudesse entrar entre os humanos e nos dignificar era necessário alguém dentre os humanos para efetuar a humanação. “Na encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade em Jesus de Nazaré certamente não houve improvisação. Uma singular providência divina preparou tudo. A vinda do Filho de Deus a terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos”. (cf. fonte: Kloppenburg, Boaventura ofm – Kyrios – Ed. Ave Maria – p.19). O Catecismo da Igreja Católica no nº522 diz: Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da Primeira Aliança (Hb.9,15), tudo converge para Cristo. Um aspecto interessante que Kloppenburg coloca é o seguinte: “Para essa encarnação do Eterno Filho, o Pai preparou e determinou o tempo, o povo, o lugar, a família, a mãe. Seu precursor imediato será João Batista, enviado para preparar-lhe o caminho. Profeta do Altíssimo(...)Ele inaugura o Evangelho”. O texto de Kloppenburg cita ainda: “Cumprindo o tempo determinado, “Deus enviou seu Filho”. (cf.Gl. 4,4). Para formar-lhe um corpo” (cf.Hb.10,5), Deus quis a livre cooperação de uma criatura. Por isso, desde toda a eternidade Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galiléia, “uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da Virgem era Maria”(cf.Lc.1, 26-27). O Catecismo da Igreja Católica sempre confessou que Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo. Caro leitor! A concepção virginal de Maria é uma obra divina que ultrapassa toda a compreensão e toda a possibilidade humanas. Para Deus nada é impossível. Podemos dizer com Kloppenburg: “Aquele Menino que nasceu em Belém, com efeito, simplesmente não era nem normal e nem natural. Era singular, caso único, sem categoria”.


A VIVÊNCIA ESPIRITUAL DOS CRISTÃOS NESTE TEMPO DE ADVENTO.

Caro leitor! A Igreja nesse tempo do advento propõe a todos os cristãos que por ser um momento liturgicamente forte na vida da Igreja e de cada um de nós, aconselha que façamos um bom exame de consciência em preparação ao Santo Natal. Os católicos de modo particular, fazendo sua reconciliação sacramental, pois, o Natal hoje, significa deixar Deus entrar em nosso coração. O ponto central nessa mudança de postura é cultivar a virtude da humildade aceitando as próprias feridas, pecados e, ao mesmo tempo, agradecer ao Pai do céu por ter nos enviado seu Filho para nos resgatar de nossas misérias, manifestando assim, a sua infinita bondade e misericórdia para com o ser humano que estava envolto nas trevas. Para o psicólogo Jung, “humildade é a coragem de encarar as próprias sombras. O autoconhecimento exige amargas práticas de humildade. Sem humildade eliminam-se da própria imagem os defeitos e os aspectos sombrios, mas só o reconhecimento das próprias debilidades pode nos proteger contra os mecanismos excludentes de que nos servimos para dissimular nossas sombras”. E continua Jung: “É preciso grande dose de humildade em relação ao inconsciente”. Caro leitor! Que nesse tempo do advento, exercitemos mais a virtude da humildade, pois, ela, nos fará desenvolver sentimentos de confiança e a aceitação dos outros. O orgulho nos afasta da comunicação humana e consequentemente nos isolamos dos demais irmãos. À medida que somos simples como Jesus e aceitando a nós assim como somos e exercitando nossas limitações através do auxílio da graça e da misericórdia de Deus, cresceremos qualitativamente na fé, e nós, católicos, fazendo nossa confissão sacramental, com certeza, teremos um Natal de paz, de alegria, pois, brotará de dentro da essência do coração e isso é precioso aos olhos de Deus.

Caro leitor! Pense e reflita.
Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS – Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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