
SOLENIDADE DE CRISTO REI – FINAL DO ANO LITÚRGICO. O FUNDAMENTO DA FÉ CRISTÃ NÃO É UM CONJUNTO DE IDÉIAS MAS A REVELAÇÃO DO PAI MANIFESTADA EM CRISTO
Caro leitor! Estamos chegando ao final do ano litúrgico com a solenidade da Festa de Cristo Rei. Cristo: “Princípio e o Fim de tudo”. Ele é o enviado do Pai. O Catecismo da Igreja Católica nos dá quatro razões para a entrada de Cristo na história humana. 1- Deus quis dar-se a conhecer ao ser humano. 2- Veio para reatar a amizade com o homem que pecou e rompeu a aliança. O encanto de Deus pelo ser humano é tanto que enviou seu próprio Filho para nos resgatar. 3- Jesus assumiu a nossa natureza, sendo um de nós, exceto no pecado, para ser modelo de santidade para todos nós. 4- A presença de Jesus entre nós nos deu o privilégio de participarmos da natureza divina e a partir desse evento na história nós participamos da divindade de Deus. Embora não sejamos deuses, trazemos dentro de nós algo que nenhuma criatura possui, ou seja, a semente da transcendência que faz com que o ser humano sinta continuamente, o desejo profundo de ver Deus face a face. Do ponto de vista antropológico, a pessoa possui uma dimensão tríplice: o cognitivo, o biológico e o espiritual. Nisso o homem se manifesta como um ser religioso por essência e não por acidente. Contudo, “ser religioso por essência”, não significa confundir com religião, pois, essa é de natureza cultural.
A FIGURA DE JESUS CRISTO À LUZ DO NOVO TESTAMENTO.
Caro leitor! Os livros do NT acenam com muita propriedade de que o ponto focal e o centro de tudo como objeto do anúncio, não é uma doutrina ou um conjunto de regras de moral e, sim uma pessoa: JESUS CRISTO. Desde as epístolas de São Paulo, que citam (900) vezes, até os evangelhos, que relatam sua vida histórica, e o Apocalipse, que o celebra usando culto igual ao tributado a Deus, tudo gira em torno de Cristo, centro e cumprimento do plano salvífico. (cf. Dicionário de Espiritualidade – p.622). No evangelho de São João, quando inicia o prólogo, contraria todas as tendências gnósticas, pois, aí nos coloca o ponto de partida do anúncio cristão. Jesus Cristo não pode ser comparado com Maomé, Buda, e tantos outros homens que marcaram a humanidade. Alguns até já existiam no tempo e no espaço antes de Jesus. Contudo, a vinda de Jesus Cristo, Deus e Homem, é um evento único que selou o grande desejo que a humanidade durante séculos tateou para ter uma resposta. A semente do sagrado no coração do homem sempre esteve presente e foi amadurecida ao longo dos séculos para a vinda “Daquele” que haveria de clarear o verdadeiro sentido da vida. Por isso, precisamos ter respeito aos credos milenares e nisso incluímos também o judaísmo. Bento XVI, quando publicou o seu livro “Jesus de Nazaré”, entrando no diálogo entre o rabino judeu Neusner e Jesus, o Papa cita o ponto crucial onde Neusner coloca o ponto central da discordância entre Jesus e a Torá, ou seja, quando Jesus se coloca “EU” numa nova direção. Esse é o ponto central da mensagem de Jesus. Assim, o rabino não quis seguir Jesus, mas permaneceu no “eterno Israel”. Afinal, no NT, perfeição à santidade exigida pela Torá, como Deus é santo (cf.Lv.19,2;11,44), consiste em seguir Jesus.É interessante que segundo, Bento XVI, ...o diálogo do rabino com Jesus se dá com respeito. Ele deixa aparecer a dureza das diferenças, mas há também grande porção de caridade: o rabino acolhe a diferença da mensagem de Jesus e despede-se numa separação que não conhece nenhum ódio, mas no rigor da verdade mantém sempre presente a força reconciliadora do amor.(fonte: ibidem – p.102)
A REALEZA DE JESUS PARA OS CRISTÃOS E O SEGUIMENTO.
Caro leitor! Se olharmos ao longo da história, encontramos Jesus igual a outros que marcaram a humanidade, como Buda, Sócrates, Confúcio e tantos outros que reuniam ao redor de si pessoas que pensavam como eles. Filósofos fundaram escolas e os discípulos podiam escolher seus mestres, trocar um pelo outro. No entanto, a peculiaridade em relação a Jesus é que o próprio Cristo é a figura central. Ele é quem chamava os seus seguidores, e, para ingressar no número de seus seguidores o que é decisivo não é a decisão do discípulo, mas, sim, a vontade e a escolha de Jesus. E Jesus impunha uma tarefa: “Farei de vós pescadores de homens”. A originalidade do seguimento de Jesus nos leva ao centro da atividade, a proclamação do domínio de Deus. O ser discípulo de Jesus está voltado para fora, para as pessoas. Mas está voltado também para dentro de Jesus. O Novo Reino que Jesus veio implantar baseia-se no “...amor a Deus e ao próximo e a união dos dois se constitui para Jesus a suma ética”.(fonte: Gnilka, Joachim- Jesus de Nazaré –Vozes –2001). O amor abre novas perspectivas, novos horizontes, deixa ver as necessidades que a lei não percebeu, vê com cordial compaixão o ferido à beira da estrada e esquece que se trata de um inimigo. O amor é o resumo da ética fundamental do Novo Testamento. Cristo é o verdadeiro Rei, o Princípio e Fim de tudo e nós somos convidados a segui-lo e ser testemunhas do mesmo na sociedade contemporânea embriagada pelo poder e o ter.
Caro leitor! Pense e reflita.
Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS – Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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Caro leitor! Os livros do NT acenam com muita propriedade de que o ponto focal e o centro de tudo como objeto do anúncio, não é uma doutrina ou um conjunto de regras de moral e, sim uma pessoa: JESUS CRISTO. Desde as epístolas de São Paulo, que citam (900) vezes, até os evangelhos, que relatam sua vida histórica, e o Apocalipse, que o celebra usando culto igual ao tributado a Deus, tudo gira em torno de Cristo, centro e cumprimento do plano salvífico. (cf. Dicionário de Espiritualidade – p.622). No evangelho de São João, quando inicia o prólogo, contraria todas as tendências gnósticas, pois, aí nos coloca o ponto de partida do anúncio cristão. Jesus Cristo não pode ser comparado com Maomé, Buda, e tantos outros homens que marcaram a humanidade. Alguns até já existiam no tempo e no espaço antes de Jesus. Contudo, a vinda de Jesus Cristo, Deus e Homem, é um evento único que selou o grande desejo que a humanidade durante séculos tateou para ter uma resposta. A semente do sagrado no coração do homem sempre esteve presente e foi amadurecida ao longo dos séculos para a vinda “Daquele” que haveria de clarear o verdadeiro sentido da vida. Por isso, precisamos ter respeito aos credos milenares e nisso incluímos também o judaísmo. Bento XVI, quando publicou o seu livro “Jesus de Nazaré”, entrando no diálogo entre o rabino judeu Neusner e Jesus, o Papa cita o ponto crucial onde Neusner coloca o ponto central da discordância entre Jesus e a Torá, ou seja, quando Jesus se coloca “EU” numa nova direção. Esse é o ponto central da mensagem de Jesus. Assim, o rabino não quis seguir Jesus, mas permaneceu no “eterno Israel”. Afinal, no NT, perfeição à santidade exigida pela Torá, como Deus é santo (cf.Lv.19,2;11,44), consiste em seguir Jesus.É interessante que segundo, Bento XVI, ...o diálogo do rabino com Jesus se dá com respeito. Ele deixa aparecer a dureza das diferenças, mas há também grande porção de caridade: o rabino acolhe a diferença da mensagem de Jesus e despede-se numa separação que não conhece nenhum ódio, mas no rigor da verdade mantém sempre presente a força reconciliadora do amor.(fonte: ibidem – p.102)
A REALEZA DE JESUS PARA OS CRISTÃOS E O SEGUIMENTO.
Caro leitor! Se olharmos ao longo da história, encontramos Jesus igual a outros que marcaram a humanidade, como Buda, Sócrates, Confúcio e tantos outros que reuniam ao redor de si pessoas que pensavam como eles. Filósofos fundaram escolas e os discípulos podiam escolher seus mestres, trocar um pelo outro. No entanto, a peculiaridade em relação a Jesus é que o próprio Cristo é a figura central. Ele é quem chamava os seus seguidores, e, para ingressar no número de seus seguidores o que é decisivo não é a decisão do discípulo, mas, sim, a vontade e a escolha de Jesus. E Jesus impunha uma tarefa: “Farei de vós pescadores de homens”. A originalidade do seguimento de Jesus nos leva ao centro da atividade, a proclamação do domínio de Deus. O ser discípulo de Jesus está voltado para fora, para as pessoas. Mas está voltado também para dentro de Jesus. O Novo Reino que Jesus veio implantar baseia-se no “...amor a Deus e ao próximo e a união dos dois se constitui para Jesus a suma ética”.(fonte: Gnilka, Joachim- Jesus de Nazaré –Vozes –2001). O amor abre novas perspectivas, novos horizontes, deixa ver as necessidades que a lei não percebeu, vê com cordial compaixão o ferido à beira da estrada e esquece que se trata de um inimigo. O amor é o resumo da ética fundamental do Novo Testamento. Cristo é o verdadeiro Rei, o Princípio e Fim de tudo e nós somos convidados a segui-lo e ser testemunhas do mesmo na sociedade contemporânea embriagada pelo poder e o ter.
Caro leitor! Pense e reflita.
Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS – Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha


