
A CARACTERÍSTICA FUNDAMENTAL DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ É O PERDÃO
Caro leitor! Jesus Cristo pode ser apresentado como o grande “terapeuta do perdão”. “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”(cf.Lc.23,34). Partindo desse pressuposto, Jesus, é modelo de uma visão diferente no que diz respeito às relações interpessoais e podemos afirmar: “O perdão é um sinal de fortaleza, não de debilidade”(cf. Ramirez, Vladimir Perez- Reconciliação e Perdão – Paulinas – 2008 - p.118). A presença de Jesus na história humana trouxe uma verdadeira revolução no convívio social, de maneira especial, aos seguidores dos seus ensinamentos. Se observarmos atentamente a conduta de Jesus, verificamos que seu proceder foi na contramão da cultura vigente. Ex....”não retribuir o mal com o mal” como várias outras passagens em que aparece uma nova maneira de comportamento. “...dê a outra face a quem te bateu”; “...amai os vossos inimigos” e etc. Num primeiro momento perdoar a quem nos ofendeu parece uma fraqueza, contudo: “...supõe uma força espiritual e uma bravura moral a toda a prova. Em vez de humilhar a pessoa, o perdão leva-a até um humanismo mais pleno e mais rico, capaz de refletir em si um raio do esplendor do Criador”(cf.op.cit. Elizondo, V. Perdono, pero no olvido – Concilium 204 (a986)- in Ramirez, Pérez Vladimir – Paulinas – p.118). É interessante notar que a própria psicologia sabe que se não conseguimos nos perdoar ou perdoar a ferida ou ofensa recebida, esta pode ser fonte de neurose. Quando Jesus estava na cruz e perdoou os seus algozes, estava consciente de que é o Pai do céu quem deve perdoar os seres humanos, porque ele é o principal ofendido. Assim, o sangue de Cristo derramado na cruz, é o único que limpa definitivamente nosso veneno interior.
O MAIOR PERIGO DO CRISTÃO É QUERER UMA ESPIRITUALIDADE QUE PARTA DOS ALTOS IDEIAIS.
Caro leitor! De acordo com Anselm Grün, toda vida espiritual que começa de cima, ou seja, pelos ideais que nós nos impomos é sempre caminhar pelo limiar de um grande abismo, pois, a vida de cada dia não corresponde a esses grandes ideais, apesar de ser uma meta a ser atingida. Contudo, para assim chegarmos temos um longo caminho, que às vezes, demora muito tempo, para não dizer que jamais chegaremos a essa perfeição de vida. A psicologia moderna vê com ceticismo essa espiritualidade perfeccionista, porque na verdade, ela conduz a pessoa a correr o risco de ficar interiormente dividida. Grün diz: “Quem se identifica com seus ideais, freqüentemente reprime a própria realidade, se ela não estiver em harmonia com esses ideais. E assim o ser humano fica interiormente dividido e doente”(cf. op.cit Grün, A e Dufner – in Ramirez- p.71).) Essa divisão fragmenta interiormente a pessoa, mesmo bem intencionada e desencadeia uma ruptura entre o ideal e a realidade e, com certeza, aí é que se abre a possibilidade de desenvolver grande parte das doenças em pessoas que consideramos boas, honestas e idôneas. Os padres do deserto sempre ensinam que devemos viver a espiritualidade começando por nós mesmos e por nossas paixões e pecados, segundo Evágrio Pôntico( 211). Esse tinha uma fórmula que deve servir para nós hoje em nossa busca de Deus: “Se queres conhecer a Deus, conhece-te antes a ti mesmo”. Caro leitor! Esse é um conselho muito sábio, pois, se assim não fosse, corremos o risco de ter uma idéia de Deus como mera projeção de nós mesmos. Tenho sempre reservas para com pessoas que querem ser perfeccionistas no que fazem especialmente no que tange a perfeição cristã. “O eu dos perfeccionistas, não admitem suas falhas, não reconhece seus defeitos e evita entrar em contato com a própria realidade. São pessoas péssimas para desculpar-se, mas ótimas para se defender. Usam todos os argumentos possíveis e imagináveis, até os lógicos e infantis, para provar que suas idéias e atitudes são corretas. Não sabem, mas tem fome de humildade. Um eu que se defende excessivamente e se esconde atrás dos seus argumentos não sabe o quanto é agradável e reconfortante admitir as próprias imperfeições. A compulsão neurótica de estar sempre correto torna-se estressante e insustentável. Essas pessoas nem sempre são agressivas no tom de voz e nas palavras, mas na maneira de ser”(cf. Cury, Augusto – A Sabedoria nossa de cada dia – 2 Sextante – 2007 –p.151).
O PERDOAR A SI E AO OUTRO É SINTONIZAR A VIDA A UMA ESPIRITUALIDADE TRANSPARENTE COM DEUS.
Caro leitor! Buscar a perfeição significa aceitar também o seu joio e do outro, ou seja, as paixões, os pecados, pois, do contrário nos esvaziamos e perdemos o dinamismo. Os idealistas vivem concentrados sobre o joio espiritual de suas faltas e sobre a maneira e métodos de erradicá-los e isso não é saudável. O joio é a nossa própria sombra. Segundo Grün, ‘se conseguirmos nos reconciliar, juntamente com o joio e o trigo bom da nossa vida crescemos. Não é bom queimá-lo antes do tempo, até porque, anularíamos também uma parte de nossa vida. Portanto, a autêntica oração brota das profundezas de nossas misérias e não dos cumes de nossas virtudes. (fonte:ibidem). O psicólogo Carl Jung diz: “O caminho para Deus passa pela descida às obscuridades do sujeito, ao inconsciente, ao reino das sombras. A partir dali, pode emergir novamente o eu amplamente enriquecido. Trata-se da lei da vida: não podemos encontrar nosso eu e Deus se não tivermos a ousadia de descer à região sombria de nossas faltas e às obscuridades do inconsciente”. Não somos anjos, mas homens com qualidades e defeitos, mas, com a graça de Deus podemos nos tornar santos.
Pense e reflita. Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS - Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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Caro leitor! De acordo com Anselm Grün, toda vida espiritual que começa de cima, ou seja, pelos ideais que nós nos impomos é sempre caminhar pelo limiar de um grande abismo, pois, a vida de cada dia não corresponde a esses grandes ideais, apesar de ser uma meta a ser atingida. Contudo, para assim chegarmos temos um longo caminho, que às vezes, demora muito tempo, para não dizer que jamais chegaremos a essa perfeição de vida. A psicologia moderna vê com ceticismo essa espiritualidade perfeccionista, porque na verdade, ela conduz a pessoa a correr o risco de ficar interiormente dividida. Grün diz: “Quem se identifica com seus ideais, freqüentemente reprime a própria realidade, se ela não estiver em harmonia com esses ideais. E assim o ser humano fica interiormente dividido e doente”(cf. op.cit Grün, A e Dufner – in Ramirez- p.71).) Essa divisão fragmenta interiormente a pessoa, mesmo bem intencionada e desencadeia uma ruptura entre o ideal e a realidade e, com certeza, aí é que se abre a possibilidade de desenvolver grande parte das doenças em pessoas que consideramos boas, honestas e idôneas. Os padres do deserto sempre ensinam que devemos viver a espiritualidade começando por nós mesmos e por nossas paixões e pecados, segundo Evágrio Pôntico( 211). Esse tinha uma fórmula que deve servir para nós hoje em nossa busca de Deus: “Se queres conhecer a Deus, conhece-te antes a ti mesmo”. Caro leitor! Esse é um conselho muito sábio, pois, se assim não fosse, corremos o risco de ter uma idéia de Deus como mera projeção de nós mesmos. Tenho sempre reservas para com pessoas que querem ser perfeccionistas no que fazem especialmente no que tange a perfeição cristã. “O eu dos perfeccionistas, não admitem suas falhas, não reconhece seus defeitos e evita entrar em contato com a própria realidade. São pessoas péssimas para desculpar-se, mas ótimas para se defender. Usam todos os argumentos possíveis e imagináveis, até os lógicos e infantis, para provar que suas idéias e atitudes são corretas. Não sabem, mas tem fome de humildade. Um eu que se defende excessivamente e se esconde atrás dos seus argumentos não sabe o quanto é agradável e reconfortante admitir as próprias imperfeições. A compulsão neurótica de estar sempre correto torna-se estressante e insustentável. Essas pessoas nem sempre são agressivas no tom de voz e nas palavras, mas na maneira de ser”(cf. Cury, Augusto – A Sabedoria nossa de cada dia – 2 Sextante – 2007 –p.151).
O PERDOAR A SI E AO OUTRO É SINTONIZAR A VIDA A UMA ESPIRITUALIDADE TRANSPARENTE COM DEUS.
Caro leitor! Buscar a perfeição significa aceitar também o seu joio e do outro, ou seja, as paixões, os pecados, pois, do contrário nos esvaziamos e perdemos o dinamismo. Os idealistas vivem concentrados sobre o joio espiritual de suas faltas e sobre a maneira e métodos de erradicá-los e isso não é saudável. O joio é a nossa própria sombra. Segundo Grün, ‘se conseguirmos nos reconciliar, juntamente com o joio e o trigo bom da nossa vida crescemos. Não é bom queimá-lo antes do tempo, até porque, anularíamos também uma parte de nossa vida. Portanto, a autêntica oração brota das profundezas de nossas misérias e não dos cumes de nossas virtudes. (fonte:ibidem). O psicólogo Carl Jung diz: “O caminho para Deus passa pela descida às obscuridades do sujeito, ao inconsciente, ao reino das sombras. A partir dali, pode emergir novamente o eu amplamente enriquecido. Trata-se da lei da vida: não podemos encontrar nosso eu e Deus se não tivermos a ousadia de descer à região sombria de nossas faltas e às obscuridades do inconsciente”. Não somos anjos, mas homens com qualidades e defeitos, mas, com a graça de Deus podemos nos tornar santos.
Pense e reflita. Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS - Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha


