
SER SANTO NÃO É UM ATO DE ABSTRAÇÃO INTELECTIVA E SIM, VIVER EM SINTONIA COM O EU, O OUTRO E COM DEUS
Caro leitor! A solenidade de todos os santos traz algo mais profundo que uma simples data comemorativa. “Sereis santos, porque Eu vosso Deus Sou santo”. Viver a santidade é ser simples e humilde. O rabino Judeu Neher, grande escritor, ao falar da “Torá” faz questão de dizer que: a mesma não é um livro de “ordens”, mas uma orientação e um caminhar comum. Qualquer pessoa que sob uma palavra parte em direção a um país que não conhece, para um futuro desconhecido, apoiado apenas na palavra de algo que vem do interior da pessoa, é um gesto de coragem e de confiança.
O pensador Unamuno dizia: “...o que mais desconcerta os caminhantes da fé é o silêncio de Deus. Deus é Aquele que sempre se cala desde o princípio do mundo; esse é o fundo da tragédia”. Ora, podemos afirmar que justamente é aí que está o mistério: “O homem põe em funcionamento todos os mecanismos e as potências, uma por uma, alcança seu objetivo: todas elas ficam satisfeitas e, entretanto, o homem fica insatisfeito”(cf. Larrañgna, Inácio – Adorar em Espírito e Verdade – Paulinas – p.11). A questão é que nós fomos estruturados para a evidência (posse), contudo o ser humano é muito mais do que isso. “O homem não é só um portador de valores eternos mas é, ele mesmo,um poço infinito, porque foi sonhado e moldado de acordo com uma medida Infinita. Incontáveis criaturas jamais chegarão a encher esse poço. Só um Infinito pode ocupá-lo por completo”(cf.ibidem-p.12). Por isso, é que o homem nunca consegue abarcar-se a si e aos outros, pois, na verdade somos um mistério além de nós mesmos. Cada ato de fé e de oração profunda é uma tentativa de posse. Deus nunca se deixa agarrar pela razão humana, sempre se desvanece como em um sonho, convertendo-se em ausência e silêncio. Enquanto estamos imersos na temporalidade e a caminho, nunca teremos a evidência de possuí-lo vitalmente e dominá-lo intelectualmente. O conteúdo estará sempre em silêncio, coberto pelo véu do Tempo. A Eternidade consistirá em descerrar esse Véu. Enquanto isso somos caminhantes, porque sempre O buscamos e nunca O encontramos. Entre a natureza do homem e a de Deus, nasce o silêncio de Deus; nascidos para possuir um Objetivo Infinito. Este está além do tempo e nosso caminhar no tempo tem que ser necessariamente na ausência e no silêncio. (fonte: ibidem).
O RACIONALISMO DA CULTURA CONTEMPORÂNEA TEM DIFICULDADE NA COMPREENSÃO DO SILÊNCIO DE DEUS.
Caro leitor! São João da Cruz, num dos seus escritos, expressou em versos a angústia que o ser humano tem frente ao silêncio de Deus, principalmente o mundo de hoje, onde, vivemos embriagados pelo barulho ensurdecedor gerado por um ativismo exarcebado. Vejamos: “Onde Te escondeste Amado, que me deixaste gemendo? Fugiste como o cervo, deixando-me ferido; saí clamando atrás de ti, e tinhas ido”.
Ora, a vivência da fé, e a vida com Deus é isto: um êxodo, um sempre “sair clamando atrás de Ti. É nesse momento que emerge a odisséia dos que buscam a Deus, uma história pesada e monótona. O Cardeal Mercier dizia: “Vou revelar-vos um segredo de santidade e de felicidade: todos os dias durante alguns instantes, procurem fazer calar vossa imaginação, fechar os olhos às coisas sensíveis e os ouvidos aos ruídos, para entrar em vós mesmos. E ali no santuário da vossa alma, que é o templo do Espírito Santo, falai a este Espírito”.
A SANTIDADE É UMA CONSTANTE BUSCA DA FACE DE DEUS.
A bíblia louva aqueles que procuram a Deus. “Exulte o coração dos que buscam o Senhor. Recorrei ao Senhor e ao seu poder, buscai sempre a sua face!”.(cf. Sl 105,3s). Jesus exige de nós que primeiro procuremos o Reino de Deus e sua justiça (cf.Mt.6,33). E àqueles que buscam a Deus na oração ele promete que também o hão de encontrar (cf.Mt.7,7). De acordo com Anselm Grün, nossa tarefa não é procurar sinais e milagres, mas procurar o próprio Deus, ou o Reino de Deus. Devemos procurar a Deus, que em Jesus Cristo está à busca do ser humano. Portanto, precisamos fazer a experiência de Deus, que nos liberta do temor diante dos outros e desfaz os medos que nos atacam sempre de novo. O filósofo francês, Jean Ladriére faz uma afirmação interessante para o encontro com Deus. Diz: O signo dos signos para nós cristãos é Jesus Cristo. “Eu e o Pai somos Um”; “Quem vê a mim vê o Pai”. Ora, a referência Jesus Cristo, nos fornece aquilo que as religiões não cristãs têm mais dificuldade. Por isso a Eucaristia para nós, é o ápice da vida cristã, pois, nela, se revela e se faz presente Jesus Cristo. Diante da Palavra de Deus e da Eucaristia podemos mergulhar o nosso silêncio nos envolvendo no manto do silêncio do Pai. “Deus não está no barulho”, diz a bíblia (cf.2Rs 19,11). Essa é talvez a grande dificuldade do homem contemporâneo, ou seja, o silêncio externo e interno. Precisamos momentos de encontro com o “eu” para podermos fazer a experiência de Deus. A vida simples é sagrada e santa. Quem vive simplesmente não é fragmentado. É saudável e inteiro. Vive com tudo o que é. Esse é o desafio para palmilhar o caminho da santidade. Pense e reflita.
Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS – Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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O RACIONALISMO DA CULTURA CONTEMPORÂNEA TEM DIFICULDADE NA COMPREENSÃO DO SILÊNCIO DE DEUS.
Caro leitor! São João da Cruz, num dos seus escritos, expressou em versos a angústia que o ser humano tem frente ao silêncio de Deus, principalmente o mundo de hoje, onde, vivemos embriagados pelo barulho ensurdecedor gerado por um ativismo exarcebado. Vejamos: “Onde Te escondeste Amado, que me deixaste gemendo? Fugiste como o cervo, deixando-me ferido; saí clamando atrás de ti, e tinhas ido”.
Ora, a vivência da fé, e a vida com Deus é isto: um êxodo, um sempre “sair clamando atrás de Ti. É nesse momento que emerge a odisséia dos que buscam a Deus, uma história pesada e monótona. O Cardeal Mercier dizia: “Vou revelar-vos um segredo de santidade e de felicidade: todos os dias durante alguns instantes, procurem fazer calar vossa imaginação, fechar os olhos às coisas sensíveis e os ouvidos aos ruídos, para entrar em vós mesmos. E ali no santuário da vossa alma, que é o templo do Espírito Santo, falai a este Espírito”.
A SANTIDADE É UMA CONSTANTE BUSCA DA FACE DE DEUS.
A bíblia louva aqueles que procuram a Deus. “Exulte o coração dos que buscam o Senhor. Recorrei ao Senhor e ao seu poder, buscai sempre a sua face!”.(cf. Sl 105,3s). Jesus exige de nós que primeiro procuremos o Reino de Deus e sua justiça (cf.Mt.6,33). E àqueles que buscam a Deus na oração ele promete que também o hão de encontrar (cf.Mt.7,7). De acordo com Anselm Grün, nossa tarefa não é procurar sinais e milagres, mas procurar o próprio Deus, ou o Reino de Deus. Devemos procurar a Deus, que em Jesus Cristo está à busca do ser humano. Portanto, precisamos fazer a experiência de Deus, que nos liberta do temor diante dos outros e desfaz os medos que nos atacam sempre de novo. O filósofo francês, Jean Ladriére faz uma afirmação interessante para o encontro com Deus. Diz: O signo dos signos para nós cristãos é Jesus Cristo. “Eu e o Pai somos Um”; “Quem vê a mim vê o Pai”. Ora, a referência Jesus Cristo, nos fornece aquilo que as religiões não cristãs têm mais dificuldade. Por isso a Eucaristia para nós, é o ápice da vida cristã, pois, nela, se revela e se faz presente Jesus Cristo. Diante da Palavra de Deus e da Eucaristia podemos mergulhar o nosso silêncio nos envolvendo no manto do silêncio do Pai. “Deus não está no barulho”, diz a bíblia (cf.2Rs 19,11). Essa é talvez a grande dificuldade do homem contemporâneo, ou seja, o silêncio externo e interno. Precisamos momentos de encontro com o “eu” para podermos fazer a experiência de Deus. A vida simples é sagrada e santa. Quem vive simplesmente não é fragmentado. É saudável e inteiro. Vive com tudo o que é. Esse é o desafio para palmilhar o caminho da santidade. Pense e reflita.
Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS – Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha


