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SEMANA DO IDOSO - A ARTE DE ENVELHECER E SEMPRE SER JOVEM É UMA QUESTÃO DE POSTURA E REALISMO

Caro leitor! Um dos grandes anseios do homem sempre foi à longevidade com saúde e vitalidade. O avanço da medicina e da qualidade de vida das pessoas na atualidade é algo maravilhoso. No Brasil, há uma estatística de que mais de vinte mil pessoas tem mais de cem (100) anos. Ora, se por um lado temos a graça de vivermos mais, por outro surgem problemas: 1- O baixo índice de natalidade, que é a população ativa, não consegue manter o expressivo número de pessoas aposentadas. Isso gera um problema de natureza econômica para os cofres públicos. 2- O ocidente tem uma cultura em relação ao idoso de exclusão, como se esse, nada pudesse colaborar com a sociedade. 3- O idoso por sua vez, imerso nessa cultura excludente sente-se inútil e consequentemente, muitos, que não participam de grupos da 3ª idade ficam depressivos, tristes e perdem a alegria de viver na fase mais preciosa de suas vidas. “A sociedade contemporânea deve aprender cada vez mais a não sacrificar os idosos no altar dos cálculos financeiros” (cf.Grün, Anselm – A sublime arte de envelhecer – Vozes – 2008 – p.7).


O VALOR DOS IDOSOS PARA AS NOVAS GERAÇÕES.

Caro leitor! O mito de que ser jovem é um valor absoluto é distorcer o sentido do próprio tempo, pois, precisamos também hoje de pessoas idosas que nos digam como se ajustam os pedaços de nossa vida e como podemos construir uma casa sólida para a nossa comunidade “(...) quando perdemos os idosos sábios, a sociedade acaba perdendo a noção da justa medida” (cf. ibidem – p.8). A supervalorização da juventude é um erro da sociedade contemporânea, pois envelhecer é uma experiência básica do ser humano e, portanto, “...refletir sobre a velhice é refletir sobre o mistério do ser humano”. O escritor Anselm Grün conta que uma senhora certo dia disse a ele:... as estações do ano é uma imagem perfeita da vida humana, ou seja, a primavera – a infância e a juventude, quando brota a vida e floresce; o verão – a idade adulta – com seus dias cheios de sol; a velhice seria o outono em sua beleza. O outono também é belo, está cheio das maravilhosas cores outonais, impregnado da amenidade do sol e da alegria das colheitas, o usufruto dos dons da criação. Grün faz um belo comentário a partir dessa imagem: “No outono da vida trata-se de contemplar e usufruir o belo. Em vez de produzir, basta simplesmente estar aí, mas no outono também podemos provar coisas novas. Contudo tanto o outono como o inverno por experiências negativas, mas, também aceitá-las em sua dureza e descobrir nas suas aflições o amor que pode dar um aspecto novo e aquecer qualquer época da vida. Mesmo na velhice podemos dar expressão à riqueza da alma. Ex: Pablo Picasso, Marc Chagall e tantos outros. O que significa envelhecer? “Significa” com os anos entrar nos anos, para conhecer o tempo e caminhar com o tempo, estar no tempo e também contra o tempo. “Envelhecer significa ir e passar, mudar sem perder a identidade, um pequeno pedaço da experiência projetado sempre de novo sobre um grande pedaço de esperança” (cf. op.cit-Schipperges- apud in Anselm Grün- - p.12).


A PALAVRA DE DEUS, O SENTIDO E A VELHICE.

Caro leitor! Envelhecer não é apenas um fenômeno que nos atinge exteriormente, mas traz a nós todos, um sentido. Carl Jung, diz com muita propriedade que a vida pode ser comparada com o sol. Em outras palavras: O significado da manhã consiste indubitavelmente no desenvolvimento do indivíduo, em sua fixação e na propagação de sua espécie no mundo exterior e no cuidado com a prole. Contudo diz Jung, após o meio-dia não pode ser apenas um apêndice da manhã. Assim como o sol se recolhe seus raios para iluminar a si mesmo, também a pessoa idosa deve ir para dentro de si mesma, voltar-se para seu eu e descobrir a riqueza do seu próprio íntimo. Jung, faz questão de lembrar uma questão histórica em relação a povos antigos, onde os idosos são os “guardiães” dos mistérios e das leis”, pois, eles marcam a cultura de seu povo. Ficar velho numa boa só pode quem viveu conscientemente e que preencheu até o transbordamento sua concha da vida. Quem já na juventude não vive realmente, também não será capaz de fazê-lo na velhice, pois fica muita coisa não vivida para trás. O teólogo Romano Guardini diz: “A pessoa idosa tem uma proximidade especial do eterno. Tendo em vista o eterno – Deus e seu reino – todo o terreno se relativiza”. A Bíblia dá grande valor à velhice e sua sabedoria. Várias figuras aparecem p.ex: no evangelho de Lucas, dentre as quais Zacarias, Isabel, Simeão, Ana. Esses idosos tiveram uma proximidade especial com o sagrado; um sentido para perceber a ação de Deus nos seres humanos; nos indicaram o que realmente nos ajuda e cura; reconheceram o mistério de Jesus Cristo e tornaram-se suas primeiras testemunhas; mostrando-nos como também a vida dos mesmos podia ter êxito. Outra característica dessa etapa da vida é o silêncio e a solidão. “Quem na velhice não consegue se calar, dele não brota nenhuma paz. O silêncio interioriza, faz pensar e contemplar. Não como amargura, mas, como o desabrochar rumo ao encontro definitivo com o Pai. O objetivo do silêncio é tornar-se um com Deus. Pessoas idosas sentem que diante da morte tudo o que aprenderam sobre Deus entra em colapso. Resta o mistério indizível de Deus, perante o qual só se pode ficar quieto. Nunca esqueçamos que: “A experiência de transcender-se faz parte dos valores mais belos da velhice”.
Caro leitor! Pense e reflita. Paróquia N.Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS – Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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