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REDUZIR DESIGUALDADES SOCIAIS NÃO É SÓ MORAL E ÉTICO MAS O DESENVOLVIMENTO DE UMA ECONOMIA SAUDÁVEL

Caro leitor! Parece estranho dizer: Desenvolver o bem estar para todos é reduzir as desigualdades, isso não é moral e sim a autêntica economia. Ainda nos encontramos em meio à crise financeira que abalou o mundo todo, desde as grandes economias, até pequenas, subdesenvolvidas e emergentes. O que essa crise econômica retrata? É de natureza ética ou moral? Afinal, são muitas as “morais”. A verdadeira ética sempre é uma diretriz básica, apesar de muitas, que defende o homem e a vida. Se o ponto de partida for da moral, que, aliás, são muitas, e se liga a culturas e códigos elaborados por grupos, moralmente está correta, embora não é ética, pois, não defende nem o homem, nem a vida como um todo. Por quê? O método que tais grupos econômicos seguem, é desvinculado do princípio da solidariedade ao homem e a vida. O economista italiano Ettore Gotti Tedeschi afirma: “...fazem escolhas de desenvolvimento egoístas e insustentáveis que depois desencadearam os piores “espíritos animais” no mundo das finanças”. Contudo, ironicamente, “os países ricos usam certas estratégias para solucionar a crise, criando riquezas para compensar as perdas, onde existe o potencial, para ser realizado rapidamente” (cf.ibidem). Por outro lado, nos bastidores de tudo isso, de modo velado flui nos porões, economistas de países ricos, o questionável apoio ao consumismo dos mesmos, bem como a transferência para o Estado as insustentáveis dívidas dos bancos, das empresas e das famílias. De acordo com o economista italiano, o PIB mundial cresce 1% graças a economias de grandes nações como a China, a Índia e o Brasil. Pergunta-se, por que essa riqueza não se estende ao resto do planeta, o que certamente teria evitado esse colapso econômico?


QUAL O GRANDE ERRO EM QUESTÕES DE FINANÇAS NO MUNDO OCIDENTAL?

De acordo com o economista Tedeschi, o problema não se encontra na rapidez dos managers bancários e a falta de controle, pois, a economia e as finanças como um todo são apenas instrumentos administrados pelo homem, que deve ser útil para o próprio ser humano. Mas deve-se afirmar que as leis que regulam a economia são para utilizar com eficácia os recursos e desenvolver o bem-estar para todos, e, assim reduzir as desigualdades sociais. Portanto, se a visão dos responsáveis pela condução da economia tiver diante de si um amplo quadro da realidade global, com certeza, o resultado será uma economia sustentável. Essa conduta se for consciente e tem presente o bem de todas as economias, o resultado surpreendentemente será positivo para os cofres públicos e terá “gordura” para grandes investimentos a favor de todos, mormente, os países mais pobres e excluídos da política econômica internacional. Os países ricos sempre foram insensíveis e egoístas ao confundir os meios com os fins. O Primeiro-Ministro britânico Gordon Brown foi feliz ao pronunciar a seguinte frase: “...deve-se dar um sentido ao instrumento econômico e reconhecer que a economia não pode ter uma autonomia moral própria”. Sim, caro leitor! Pois a premissa ética sempre terá que ser: a defesa do homem e da vida e quando fugir dessa responsabilidade solidária, a mesma perde a sua razão de ser e de existir, logo não é um processo ético.


A ENCÍCLICA “CARITAS IN VERITATE” E A NOVA VISÃO DE ECONOMIA QUE HUMANIZA.

Caro leitor! Quando a Igreja através do Papa e dos Bispos se manifesta em questões de economia, política e etc, não quer dizer que a Igreja tem a última palavra sobre essas realidades. Contudo, a Igreja fiel ao mandamento do amor, ela, tem o dever de orientar, participar e questionar quando entra em jogo a questão do ser humano e da vida. Portanto, diz a encíclica: “A caridade requer conhecimento, respeito consciencioso e não é um apêndice. As exigências do amor não contradizem as da razão. O ser humano é insuficiente e as conclusões das ciências não poderão sozinhas indicar o caminho para o desenvolvimento integral do homem. Temos que ir além, ou seja, exige a caridade na verdade. A dignidade da pessoa e as exigências de justiça requerem, sobretudo, opções econômicas que não façam aumentar, de forma excessiva e moralmente inaceitável as desigualdades”. E continua: “O aumento sistemático das desigualdades sociais tende a minar não só a coesão social, mas põe em risco a democracia e têm um impacto negativo no plano econômico com a progressiva corrosão do “capital social”, de confiança, de credibilidade, de respeito das regras, indispensáveis em qualquer convivência civil. Não podemos esquecer que: “os custos humanos são sempre custos econômicos e as disfunções econômicas acarretam sempre custos humanos”.(Fonte: Encíclica de Bento XVI). Caro leitor! É um momento importante da história para refletirmos sobre o sentido da economia e dos seus fins, bem como o tipo e o modelo de desenvolvimento, para corrigir as disfunções e desvios. Pense e reflita!

Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS - Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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