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O SER HUMANO É PARTE DA NATUREZA, MAS TRAZ DENTRO DE SI A NOSTALGIA DA TRANSCENDÊNCIA

Caro leitor! O micro e macrocosmo é o conjunto de toda a natureza e dentro dessa, encontra-se o ser humano. Há alguns dias atrás, vi e ouvi uma entrevista de um biólogo que abordava a questão da evolução do homem, a partir da teoria de Darwin, de que o homem é fruto de uma evolução. Até aí nada de especial. Contudo, o que me surpreendeu foi quando afirmou que tudo na natureza e inclusive o homem e sua evolução é fruto do “acaso” e nega a existência de Deus. A certa altura da entrevista, um jovem perguntou ao biólogo. Como e onde o senhor situa a questão da autoconsciência reflexa? Esse lhe respondeu: “Confesso que para essa questão não tenho resposta”. Eis o problema da “especialização”. Essa, aprofunda determinada área do conhecimento, mas perde a visão do conjunto da realidade. O cientista Van Rensselaer Potter, oncólogo norteamericano, que criou o neologismo e a ciência da “Bioética, ao sentiu que não é mais possível fazer ciência, ao tratar do homem, sem levar em conta os vários segmentos do mesmo, e sem omitir a filosofia e a teologia. Ele concluiu a necessidade de uma visão ampla, especialmente, da antropologia filosófica e teológica. “O homem faz parte do cosmos, e se encontra submetido a todas as leis do mundo físico; mas descobre em si a nostalgia da transcendência. Está completamente imerso no tempo, mas aspira à eternidade. (...) Descobre-se submetido à necessidade de morrer, no entanto a morte parece-lhe contra a natureza”(cf. Lecler, Marc – L’osservatore Romano – nº33 do dia 15/08/2009 – p.5).


A INCOERÊNCIA DO BIÓLOGO EM SUA AFIRMAÇÃO NO QUE DIZ RESPEITO AO SURGIMENTO DO HOMEM.

Caro leitor! O ponto de partida de qualquer cientista sério é a conduta pautada pela humildade, sem ares de dono da verdade. Ora, frente a grandes cientistas, como físicos, astrofísicos que apontam uma direção inversa, como esse biólogo ousa ter a última palavra sobre o ser humano e a realidade do micro e macrocosmo? Com certeza, é uma assertiva completamente deslocada e ultrapassada. Podemos deduzir duas razões para tal afirmação. 1- Ou é alguém especializado em sua biologia de tal forma, que perdeu o senso da vida como um todo. 2- Ou faz parte daquele grupo de pseudo-pesquisadores que intencionalmente têm interesse em desorientar as pessoas mais simples. Portanto, não deve ser levado a sério. Por quê? “...nem a ciência nem a fé podem se separar completamente da cultura na qual são inseridos(...) existe uma cultura científica e uma cultura religiosa que fazem parte integrante da cultura em geral; mas é precisamente no seio desta cultura especificamente humana que podem dialogar entre elas”(cf.ibidem). O filósofo Maurice Blondel dizia: “a ciência não existe por si só, mas deriva por inteiro da atividade humana, em interação constante com a natureza”. E continua: “A ciência sendo um dos produtos da ação, não saberia, sem um enunciado de princípio, motivar adequadamente a ação da qual precede”. De acordo com Blondel a própria consciência do determinismo, aliás, postura do biólogo entrevistado, sempre supõe uma tomada de distância, uma possibilidade de escolha. Consciência e liberdade são inseparáveis. Mas essa liberdade, podemos afirmar que não é induzida, somente pela ordem física, mas implica uma verdadeira transcendência em relação à naturalidade biológica da qual emergimos. Portanto, é necessária uma mediação cultural entre ciência e fé, pois não há incompatibilidade entre ambas, ao contrário se completam.


E A QUESTÃO DO “ACASO” NO SURGIMENTO DO UNIVERSO?

Caro leitor! A Encíclica “Fides et Ratio”(Fé e Razão) publicada em 14/09/1998 pelo então Papa João Paulo II afirma: “A Revelação divina leva o homem a procurar a verdade através da inteligência, e reafirma a capacidade do homem de reconhecer a verdade plena”. E continua: “A razão por ser limitada, não pode entender toda a verdade; então, o homem é levado à fé”. João Paulo II citando São Tomás de Aquino relembra: “A luz da razão e a luz da fé provém ambas de Deus; portanto não se podem contradizer entre si”(cf.ibidem- Fides et Ratio-nº43). Algumas correntes teológicas contemporâneas têm a tentação para o racionalismo, partindo apenas de pressupostos filosóficos como base para a investigação teológica. (cf.ibidem- nº48,55, e 63). É lamentável que teólogos com seu excessivo racionalismo não contribuam para responder aos anseios do homem contemporâneo que procura uma palavra clara e fiel ao que Deus nos quer revelar. O modismo do relativismo perpassa também o interior da própria Igreja, e os últimos papas têm alertado sobre essa vaidade subjetivista de muitos membros da Igreja. “A ciência nos mostra que nem as galáxias, nem os bilhões de estrelas, nem os planetas, nem a própria vida são apenas um acidente ou obra do acaso cego e caótico”(cf.Aquino, Filipe – Ciência e Fé em harmonia – ed.Cléofas-p.66). O cientista Dr. Patrick,PhD, formado em Harvard(EUA) e Cambridge, Inglaterra autor do livro: Deus. A evidência- A reconciliação entre a Fé e a Razão no mundo atual”- Ed.Madras- SP-190pp.- 1999, dá quatro razões que o levaram a passar do ateísmo para a fé. 1- Os físicos descobrem uma ordem inexplicável no universo.2- Os médicos relatam o poder de cura da oração.3-As experiências no limiar da morte mostram aos psicólogos que a fé estimula a saúde mental.4-Os sociólogos reconhecem as consequências deletérias de uma sociedade desprovida de valores espirituais.(Fonte: op.cit- ibidem- p.68). Caro leitor! É bom refletir antes de fazer afirmações que são meias verdades.
Paróquia N. Sra. de Lourdes- Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS – Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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