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A VISÃO DE DESENVOLVIMENTO DE PAULO VI E OS DESVIOS E DESEQUILÍBRIOS GERADOS POR UM MODELO INADEQUADO

Caro leitor! É interessante observar que a Encíclica de Bento XVI “Caritas in Veritate” recém publicada, faz questão de analisar a “Populorum Progressio” à luz dos novos tempos. No segundo capítulo da nova encíclica, Bento XVI, com muita propriedade, parte da visão que Paulo VI tinha sobre desenvolvimento. Contudo, fica claro que após os 40 anos da Populorum Progressio, muitos pontos se desvirtuaram. Vejamos alguns que contrastam: 1- O lucro é útil como meio e não como fim, esse, devia ser capaz de produzir crescimento, mas sustentável. 2- O atual papa diz que: “o desenvolvimento que houve até então é positivo, pois tirou milhões de pessoas da miséria e muitos países tiveram a oportunidade de se tornarem atores eficazes na política internacional. 5- Por outro lado, ficam evidenciadas anomalias na atual crise econômica internacional. Ora, diz Bento, isso induziu a sociedade a um destino cruel, de modo especial ao homem, devido a uma atividade financeira mal utilizada. Pois, isso forçou um processo migratório, exploração da terra de forma errada, o que coloca em alerta a questão da sobrevivência e o futuro da humanidade. 4)- Outro aspecto que a encíclica aborda, é o desenvolvimento do mundo cada vez mais interdependente e por essa razão requer novos esforços de enquadramento global para uma nova síntese humanista.


A CRISE ECONÔMICA, POLÍTICA E SOCIAL NA ATUALIDADE REQUER NOVOS PRINCÍCPIOS E VALORES.

Caro leitor! Podemos ressaltar alguns elementos que já na encíclica “Spe Salvi” de Bento XVI, já havia frisado com muita determinação o problema-chave da atual situação mundial, que está ofuscando, quando não sufocando as instituições, bem como as pessoas, notadamente no que se refere ao próprio rumo que a humanidade atual está caminhando. Vejamos algumas: 1- Precisamos assumir com realismo, confiança e esperança as novas responsabilidades que nos chamam a uma renovação cultural, a redescoberta dos valores fundamentais para construir sobre eles um futuro melhor. É importante o destaque e a insistência do papa na atual encíclica, bem como na “Spe Salvi” nº17, quando aponta com segurança que a atual crise é fruto de uma visão que exclui do desenvolvimento a dimensão da transcendência. Aliás, aí, ele cita uma frase de Francis Bacon: “A esperança ganha uma nova forma. Agora, chama-se fé no progresso”. Às vezes nos dá a impressão de que se apagam da memória, as amargas lições do passado, onde a absolutização de ideologias, que são sempre imanentes, históricas e provisórias, tantas vidas para o ‘sem-sentido’. Pois, sempre a referência é de natureza política social e econômica. Portanto, faz parte integrante da temporalidade e não tem valor absoluto. A história sempre provou que tudo que se procurou solidificar na imanência, impreterivelmente fracassou. Ora, quando o homem coloca os avanços científicos através de qualquer meio, entra por uma estrada sem saída e normalmente paga um alto preço. A encíclica dos papas sempre tem questionado o progresso pelo progresso, recordado ao mundo as experiências trágicas do passado. Ciência, apenas firmados em princípios simplesmente humanistas e sem Deus, fracassam. O chão que pisamos é pantanoso. De acordo com a encíclica, a crise torna-se uma boa ocasião de discernimento e elaboração de uma nova planificação.


AS ANOMALIAS POLISSÊMICAS DO DESENVOLVIMENTO NA CONTEMPORANEIDADE.

O entusiasmo que a Populorum Progressio despertou após o Concílio Vaticano II, previa um método de desenvolvimento sustentável. 40 anos após, parece melancólico, tíbio com significativas distorções daquilo que Paulo VI imaginou. Por quê? O método adotado pelas lideranças acabou conduzindo a política e a economia como um todo para um caos desconcertante. A encíclica de Bento XVI aponta dentre várias, algumas que vale a pena citá-las. 1- As causas são de natureza policêntricas, ou seja, o subdesenvolvimento e o desenvolvimento são múltiplos, as culpas e os méritos são diferenciados. 2- A indução artificial das ideologias. 3- Hoje, o que demarca a linha de países-ricos x pobres não é mais como no tempo da Populorum Progressio, pois, cresce a riqueza em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. 4- Nos países ricos surgem novas categorias sociais que empobrecem e nascem novas pobrezas. 5- Nas áreas mais pobres alguns grupos gozam de um super-desenvolvimento dissipador e consumista que contrasta com situações de miséria desumanizadora. Portanto, continuam o “escândalo de desproporções revoltantes”. 6- Infelizmente a corrupção e a ilegalidade estão presentes tanto no comportamento de sujeitos da economia e da política dos países ricos, antigos, como também novos como nos próprios pobres. 6- A falta de respeito aos trabalhadores, infelizmente contam-se também em grandes empresas transnacionais e grupos de produção local. 7- As ajudas internacionais muitas vezes são desviadas das suas finalidades, tanto da parte dos doadores como dos beneficiários. Caro leitor! Esses são alguns pontos de tantos que devem nos fazer pensar a partir dessa nova encíclica do Papa Bento XVI. Urge repensar os caminhos de uma sociedade embebecida nos bens materiais, ao mesmo tempo, numa pobreza extrema em valores que dignificam a mesma. Assim diz a encíclica: “Não é suficiente progredir do ponto de vista econômico e tecnológico, mas um desenvolvimento, antes de tudo verdadeiro e integral. Pense e reflita.

Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS – Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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