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A NOVA ENCÍCLICA “CARITAS IN VERITATE DE BENTO XVI” O FENÔMENO DA GLOBALIZAÇÃO CRIA PROXIMIDADE, MAS NÃO NOS TORNOU MAIS FRATERNOS

Caro leitor! O atual papa na nova Encíclica nos recorda a Carta de Paulo VI, “Populorum Progressio”. Esse abordava a questão do desenvolvimento, mas sempre à luz de princípios bem claros para nós cristãos, ou seja, o respeito à dignidade humana, à justiça e à paz. A Carta foi publicada logo após o Concílio Vaticano II. João Paulo II atualizou a mesma, publicando a Encíclica “Sollicitudo rei socialis”. Bento XVI prosseguiu o fio condutor das publicações de seus predecessores, de que o progresso técnico sempre terá que levar em conta um desenvolvimento integral, independente de credo religioso, visando sempre à sobrevivência da sociedade, legando para as futuras gerações um mundo mais humano, fraterno e saudável. Contudo, é necessário ter em conta que o homem precisa estar em sintonia com Deus, o Criador de tudo. Toda essas Encíclicas têm sua base na Tradição da fé Apostólica, até porque sem essa, tais documentos seriam carentes de raízes e o desenvolvimento estaria ancorado apenas em dados sociológicos. A Igreja sempre tem presente e a convicção que a base de tudo é a “CARIDADE E A VERDADE”. “O desenvolvimento não pode ser fechado sobre a própria história, pois acaba sufocando não só o homem, mas o próprio fluir da vida como um todo. Sem a perspectiva duma vida eterna, o progresso humano fica privado de respiro (...) e está sujeito ao risco de reduzir-se a simples incremento do ter; assim, a humanidade perde a coragem de permanecer disponível para os bens mais altos, para as grandes e altruístas iniciativas solicitadas pela caridade universal”. (Fonte: Encíclica do Papa Bento XVI).


RISCOS DE CONSTRUIR A HISTÓRIA PRESCINDINDO DE DEUS.

É estranho ao homem fazer história tendo uma conduta contra o Criador. Destaco alguns pontos que a Encíclica de Paulo VI, “Populorum Progressio”, já alertava há 40 anos atrás e continua sendo válido para os nossos dias. 1. Instituições sozinhas não bastam para o desenvolvimento. 2. Sem Deus o desenvolvimento acaba nas mãos do homem e na presunção da auto-salvação, fomentando um desenvolvimento desumanizado. 3. A Doutrina Social da Igreja está construída sobre o fundamento dos Apóstolos e dos Padres da Igreja. Por isso, não há uma Doutrina Social pré-conciliar e pós-conciliar. Todas de acordo com a sua época tiveram como princípio a “CARIDADE” que “nunca acabará” (cf.1Cor 13,8). 4. Na Carta Apostólica Octogésima Adveniens, em 1971, Paulo VI, reafirmou a necessidade de construir a sociedade a partir do Evangelho, para evitar o perigo de visões utópicas e ideológicas que prejudicam a qualidade de vida ética e humana. 5. O Papa apontava também o florescimento das ideologias negativas, tecnocráticas e a absolutização do progresso técnico, com isso, afagando a utopia de separar progresso e moralidade. 6. Querer um mundo sem desenvolvimento exprime falta de confiança no homem e em Deus. 7. A Encíclica Humanae Vitae de 1968, chamou a atenção da humanidade e de modo especial os cristãos católicos, para a importância de haver questões da ciência e seus avanços de ter uma ligação ética da vida e ética social. A Encíclica Evangelium Vitae de João Paulo II, também destacou a mesma ligação. Por quê? Ora, a sociedade sem bases sólidas baseadas em valores como a dignidade da pessoa, a justiça e a paz tudo é vazio e torna a vida insípida.


O DESENVOLVIMENTO É UMA VOCAÇÃO DO SER HUMANO.

Caro leitor! É uma vocação, sim, pois, por um lado, esse nasce de um apelo transcendente. Por outro, porque esse é incapaz por si mesmo de atribuir-se o próprio significado último. A Encíclica afirma: “Não há verdadeiro humanismo senão aberto ao Absoluto, reconhecendo uma vocação que exprime a idéia exata do que é a vida humana. Esse é o coração da “POPULORUM PROGRESSIO”. A mesma ainda diz: “A vocação é um apelo que exige resposta livre e responsável. O desenvolvimento humano integral supõe a liberdade responsável da pessoa e dos povos. Portanto, tenhamos cuidado com os falsos messianismos, que criam ilusões e falsas seguranças, pois, já conhecemos amargas experiências na história. Quantas vidas jovens ceifadas em nome de ideologias e que hoje nem se fala mais. O tempo se encarregou de neutralizá-las. Portanto, além da liberdade, “o desenvolvimento humano integral enquanto vocação exige também que se respeite a sua verdade. A vocação ao progresso impele os homens a ‘realizar’, conhecer e possuir mais, ser mais” (cf. Encíclica). “A vocação cristã do desenvolvimento ajuda a empenhar-se na promoção de todos os homens e do homem todo”. O Evangelho é elemento fundamental do desenvolvimento, porque lá Cristo, com a “própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revelou o homem a si mesmo”. A vocação cristã compreende tanto o plano natural como o sobrenatural, por isso Deus não pode ficar fora do processo do desenvolvimento. Na vocação fica clara a centralidade da “CARIDADE”. As causas do subdesenvolvimento não são materiais e sim a visão economicista dos projetos, que busca resposta num simples humanismo. Os cristãos têm grande responsabilidade na mudança, sendo promotores de um desenvolvimento integral em benefício de todos. (Síntese e comentários do 2º cap. da Nova Encíclica de Bento XVI “Caritas in Veritate”).

Pense e reflita!
Paróquia Nossa Senhora de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do Oásis Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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