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ANO SACERDOTAL II: O SECULARISMO CONTEMPORÂNEO E A IMPORTÂNCIA DA IDENTIDADE SACERDOTAL

Caro leitor! A abertura da Igreja para o mundo no Concílio Vaticano II foi algo de extrema importância no processo de evangelização do mesmo. Contudo, o fascínio despertado em relação a essa abertura no decurso do tempo, também trouxe alguns problemas que está a exigir revisão e uma série de ajustes, mesmo que isso faça parte de qualquer processo de avanço e renovação. Afinal, o tempo vai mostrando os acertos e os limites das mudanças. Um dos problemas que nos defrontamos hoje diz respeito ao perfil dos sacerdotes e dos futuros sacerdotes, inseridos no contexto de uma sociedade que também tomou novos rumos. Muitos positivos, mas outros com situações que colocam em risco questões importantes em relação à fé cristã e muito mais na “identidade e missão” dos sacerdotes, quando defrontados ante um vasto pluralismo ideológico, realidade essa, que necessita de ajustes para as novas gerações de cristãos, e, de modo especial, aos novos sacerdotes no processo de evangelização. A teologia pós-conciliar e as conferências latino-americanas procuraram responder vários problemas de natureza político-social, da qual a Igreja jamais pode se eximir de participar, bem como contribuir com o bem comum de toda a sociedade em um todo. Afinal, a Igreja ela vive no mundo. Entretanto, a Igreja através de muitos estudos, encontros, seminários e avaliações do agir pastoral começa a dar-se conta de que a função dos sacerdotes, mesmo inseridos na história, é ajudar, incentivar e formar leigos a terem um papel determinante na transformação da sociedade, orientando-os, acompanhando-os sem que os sacerdotes percam a essência do seu ministério específico. Eis um momento especial: “O Ano Sacerdotal”.


A TENTAÇÃO DE UM HUMANISMO HORIZONTALISTA NA SOCIEDADE É UM ALERTA PARA A IDENTIDADE DA FÉ CRISTÃ.

A Igreja Latino-americana desenvolveu um trabalho peculiar em relação à sociedade como um todo, de modo especial naquilo que se refere às questões de natureza social, das estruturas injustas, aliás, que Bento XVI incluiu na lista de pecados, o “pecado social”. É digno de menção o sacrifício da própria vida de muitos sacerdotes, religiosos(as), consagrados(as), agentes de pastoral que deram suas vidas para serem fiéis a Cristo. Contudo, a estrutura da atual sociedade entrou num colapso em todas as dimensões. O mundo se encontra sem rumo e é necessário sacerdotes santos, como dizia João Paulo II. Um dos maiores inimigos que sutilmente está na subjacência dessa crise e confusão é a influência forte da Nova Era com seu veneno letal, que penetrou em todos os meandros da sociedade, a começar pelo mundo da cultura, e em todos os veículos e pessoas que formam opinião, inclusive de certas teologias. Há uma sutil transmutação dos valores e símbolos cristãos, para diluir num caldeirão princípios essenciais da fé cristã numa sopa intragável. Não há conciliação entre a fé cristã e a Nova Era. E aí é que entra a necessidade de sacerdotes, religiosos(as), devidamente preparados. Esses devem preparar leigos(as), discípulos-missionários para atuar na história e transforma-la. “Se nós nos deixarmos penetrar pelo amor de Deus, também nosso mundo secularizado será iluminado por Deus através de nós” (cf. Grün, Anselm. Os Padres do Deserto. Vozes. p.122. 2009).


A CENTRALIDADE DE CRISTO NA MÍSTICA SACERDOTAL.

Caro leitor! Partindo da experiência de confessor e diretor espiritual, onde muitos jovens me procuram, aliás, expressivo número de estudantes universitários, intelectuais, percebo que buscam algo sólido em à relação fé e a busca do sentido. Noto também que se sentem tocados na sua essência, quando vêem no sacerdote um homem sério, idôneo e que seja verdadeiro e os leva a sério. Sinto muita responsabilidade, pois é uma experiência que vivo diariamente. As perguntas que fazem me fascinam e questionam minha própria vida sacerdotal. Sempre digo a eles, que após a doença que passei, minha vida mudou. Gostaria de ser sacerdote com a vida, a experiência e maturidade que tenho hoje, contudo, a vida não é assim. Ela tem um começo, um meio e um declínio. Observo que o testemunho fascina os jovens e atrai muitas pessoas por mais duras e inflexíveis que sejam. “A melhor escola é o encontro com uma pessoa madura”. Dizem os Padres do Deserto: “Vai une-te a uma pessoa temente a Deus. Esta proximidade e união vão ensinar-te o temor de Deus” (cf.ibidem p.58). Caro leitor! Essa colocação nos faz refletir sobre nosso ministério pastoral. Pois, não são suficientes palavras bem colocadas, mas, sim, a nossa proximidade com Deus que conduz outras pessoas a Deus. A oração transforma nosso relacionamento com as pessoas. Se a nossa marca e vocação é o amor então... “Deves amar o teu próximo. Pois ele és tu mesmo” (Martin Buber). Portanto, a pessoa só se torna perfeitamente pessoa quando deixa Deus entrar nela, pois, quanto mais o sacerdote em seu ministério for coerente e idôneo, mais luz será para nosso mundo sem direção.

Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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