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A DEPRESSÃO NA BÍBLIA E A CONDUTA DE JESUS CRISTO FRENTE AOS DEPRESSIVOS

Caro leitor! A depressão é linguagem corrente em nossos dias. Contudo, a mesma sempre existiu na vida humana. Ela aparece nas mais variadas formas. Concluído o tempo pascal com Pentecostes, tomo a liberdade em usar um texto bíblico, onde ocorre um caso típico de depressão, ou seja, os discípulos de Emaús (cf.Lc.24,13-35). Suponho que o leitor conheça o desenrolar do texto. O ponto de partida é que o luto não é a mesma coisa que depressão. “Quem não se permite o luto e o reprime torna-se internamente paralisado na depressão” (cf. Grün, Anselm. O Tratamento Espiritual da Depressão. Vozes. p.48. 2009). Em atendimentos que tenho efetuado, aparecem com freqüência pessoas que, desde a perda de alguém querido da família, jamais se recuperaram e vivem em constante tristeza e desânimo. Ora, isso sugere que como conselheiro eu tenha prudência ante o fato e não ter a preocupação de querer consolar a pessoa, pois a mesma tem e deve fazer o luto, ao qual chamo de “terapia do luto”. É uma etapa necessária. Por quê? “Quem não se permite o luto torna-se internamente paralisado na depressão” (cf. ibidem). Essa postura evita o afundamento da pessoa naquilo que a paralisa. O olhar dessas pessoas é triste, sombrio e parado no tempo, apesar do mundo continuar.


A TERAPIA DE JESUS FRENTE AO LUTO DA PERDA DE ALGUÉM.

O texto dos “Discípulos de Emaús” é um exemplo típico do sentimento de perda, luto e depressão. Vejamos como Jesus trabalhou o luto com os dois discípulos de Emaús: 1. Jesus permitiu que os discípulos depressivos falassem de sua experiência. 2. Ele relaciona a experiência com as palavras da bíblia, mostrando-os que a interpretação deles caminhou para uma direção oposta, apenas de perda e decepção. 3. Jesus procura transmitir a eles um sentido no acontecido. Toma a bíblia e à luz dessa explica que o fato pode ser visto sob outro ângulo. 4. Jesus não repreende os discípulos por estarem tristes. As palavras de Jesus não instruem, mas tocam os corações. 5. Os discípulos sentem que Jesus vê a realidade diferente que corresponde ao seu mais profundo desejo. “Porventura não ardia o nosso coração quando pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?” (cf.Lc.24,32). 6. As palavras de Jesus são palavras de amor que aquecem o coração que se abre, ao mesmo tempo desperta no coração um fio de esperança e acendem uma fogueira de energia nova.


POSTURAS OBJETIVAS DE JESUS NA AJUDA AO DEPRESSIVO.

Lendo e analisando o texto bíblico de Emaús, observamos algo importante, ou seja, o depressivo precisa de uma pessoa que penetre com ele em sua noite. Os discípulos disseram a Jesus: “Fica conosco Senhor, porque já é tarde e o dia já declinou” (cf.Lc.24,29). Percebem que a noite, com a sua escuridão é uma imagem da depressão. Os discípulos temem a escuridão da noite. Quando cai a noite na alma, é quase impossível suportar a solidão, por isso eles pedem a Jesus que fique com eles. Observe caro leitor! O depressivo sempre necessita de uma pessoa que penetre com ele em sua noite e que não tema a escuridão de seu coração. Para os dois discípulos, Jesus é essa pessoa. Diz o texto: “E entrou para ficar com eles” (cf.Lc.24,29). Palavras como: Tudo ficará bem com você, tudo passa, e outras, são palavras simplesmente inúteis nessa hora para o depressivo. Fica claro que: “A pessoa depressiva precisa de alguém que fique com ela em seu medo e sua confusão interior gerada pelos sentimentos depressivos” (cf.ibidem. p.51).


A IDEALIZAÇÃO DA VIDA E O ESQUECIMENTO DE SI E DE DEUS COM SUA AUTOSUFICIÊNCIA É FONTE FÉRTIL À DEPRESSÃO.

A sociedade contemporânea na frenética corrida do sucesso, do ter, de ser o melhor, de alcançar os melhores postos, da luta pelo poder, e dos jargões da “qualidade total”, são elementos que deslocam a pessoa de seu “EU” e levam ao vazio de sentido a própria vida, e Deus, nessa corrida, passa despercebido e obsoleto. “O ego que fantasia com uma vida bem-sucedida, saudável e feliz é rompido para o segredo do Deus e o segredo da vida, que nem sempre transcorre tão linearmente quanto desejamos. O último sentido da depressão consiste em abrir-se para Deus” (cf.ibidem. p.55). A grande falha da cultura contemporânea é querer a resolução de todos os problemas, de modo especial os da saúde apenas com aquilo que a ciência oferece. O método de Jesus sugere não a omissão do médico, do terapeuta, do psicólogo e do psiquiatra, mas que esses escutem o paciente e o conduzam ao âmago pessoal, o santuário da pessoa, a região interna do “Eu” no qual Deus reside. Nesse santuário interno, a pessoa entra em contato com a sua verdadeira essência, com a imagem original de Deus em si. Por isso é que Jesus ressuscitou tornou-se este “EU”. “Deus é o centro da minha vida, lá onde eu sou eu mesmo”. Daí, posso afirmar: Eu não sou a minha depressão. Dentro de mim ainda há esse âmago do Eu que atravessou a escuridão da morte e do túmulo e ressuscitou. Quando tenho consciência do meu “Eu” a doença não pode penetrar. Ali eu sou saudável e íntegro. Isso relativiza a depressão, sem extingui-la. Precisamos aprender a conviver e nos reconciliar com a depressão e termos o domínio sobre ela e não o contrário. Todos temos depressão de alguma forma, mas o importante é saber tirar o poder dela sobre nós e, assim, administrá-la.

Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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