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MAIO – MÊS MARIANO: O SILÊNCIO E A MÍSTICA DE MARIA

Caro! Leitor! Nesse tempo, a Igreja dedica uma atenção especial à Mãe de Jesus. Por quê? É bom termos consciência do quanto a figura desta mulher significa para toda a Economia da Salvação. Com o seu “SIM” a Deus ela é considerada a co-redentora no processo salvífico de toda a humanidade. Contudo, Maria não é uma “deusa” e sim alguém escolhida dentre o gênero humano para ser a portadora de Deus na história humana. Aliás, a gravidez de Maria foi de uma singularidade sem igual, obra exclusivamente do Pai. Portanto, a escolha de Maria como mãe de Jesus, não é uma invenção dos cristãos, de modo especial, dos católicos. O fundamento dessa verdade encontra biblicamente claro em (cf.Lc.1,26-38). Ora, negar tal acontecimento é desconhecer a Escritura, tanto do AT como do NT. Isso não significa que Maria é uma “deusa”, mas sim alguém que, imbuída de uma profunda intimidade com Deus e no afã de sempre fazer a vontade de Deus, ante o anúncio e após o susto, ela com sua fé profunda em Javé, da qual Maria era profunda conhecedora, soube entre sombras e luzes dizer ao anjo: “SIM”. Sem dúvida, foi um passo no escuro e para o desconhecido, mas sempre alicerçada na sua inabalável fé, que pautava o seu perfil. “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (cf.Lc.1,48). A mim me encanta e retrata a grandeza de Maria ao ouvir e meditar o “Canto do Magnificat”, que Maria disse logo ao dizer o seu “SIM” a Deus através do Anjo Gabriel. É um dos hinos mais belos no qual os cristãos sempre poderão se inspirar para lembrar e venerar a extraordinária e corajosa mulher que foi capaz de lançar-se, sem restrições, nos braços da Divina Providência. Sugiro ao leitor abrir o texto bíblico em Lc.1,46-56, para ler, meditar e saborear a suavidade desse canto de Maria. Ela é exemplo de abertura, coragem e confiança em Deus. Seu silêncio e sua mística devem sempre inspirar nossa espiritualidade.


POR QUE NÓS CRISTÃOS CATÓLICOS VENERAMOS MARIA COMO MÃE DA IGREJA E NOSSA?

Com certeza, pela predileção de Deus por Ela. Quando o anjo anuncia a ela que seria a Mãe do Salvador, disse: “Ave cheia de graça, o Senhor é contigo” (cf.Lc.1,28-38). Venerar Maria significa “professar na poderosa realização da Páscoa de Jesus Cristo em nós, criaturas e filhos” (cf. Sou católico - Vivo a minha fé. CNBB. p.85. 2007). Outro motivo, que está fundamentado biblicamente, é que o próprio Jesus nos deu Maria como mãe na cruz, quando disse: “Filho, eis aí a tua mãe” (cf.Jo.19,27). A Igreja interpreta essa passagem, vendo na figura de João que estava aos pés da cruz com Maria, e ali, esse representava toda a humanidade. E assim, logo em seguida, Jesus diz: “Mulher, eis aí o teu filho” (cf.Jo.19,26). Ora, a partir daí, Maria passou a ser a medianeira e intercessora de todas as graças, não por ser uma “deusa” e sim por ser a “criatura que está mais próxima do Senhor. Ela é a primeira criatura, plenamente glorificada, sinal concreto da eficácia da salvação de Jesus Cristo na nossa humanidade” (cf.ibidem.p.85). Caro leitor! Tenho a convicção e a experiência de que essa realidade transforma a vida pessoal, familiar e as comunidades cristãs. Sem a presença de Maria, a Igreja se torna um “vazio”, com certeza. A mãe não pode faltar!


A MÍSTICA E O SILÊNCIO DE MARIA É EXEMPLO AO CONTURBADO MUNDO CONTEMPORÂNEO.

Caro leitor! A civilização atual tem sede pela transcendência e pela mística. Contudo, a mesma perdeu o fio condutor que direciona para a experiência verdadeira de um Deus Pessoal, se perdeu na poeira dos misticismos impessoais e alienantes que conduzem ao vazio. É a sucata de uma sociedade consumista e pobre espiritualmente. O reflexo disso está na poluição sonora que não abre espaço para o encontro com o “EU”. Eis porque tantos problemas na atual civilização relativos a desequilíbrios psico-somáticos que se manifestam em estranhas doenças. Entretanto, o mundo de hoje terá que redescobrir o valor do silêncio. Maria é modelo em que nós hoje podemos redescobrir a beleza da vida, desfrutá-la, mas aprender também a valorizar o tempo para o silêncio e a oração. “Tudo o que é definitivo nasce e amadurece no seio do silêncio: a vida, a morte, o além, a graça, o pecado. O palpitante está latente” (cf. O silêncio de Maria. Larranãga. p.90). E o texto continua: “Silêncio é o novo nome de Deus. Penetra tudo, cria, conserva e sustém tudo e ninguém percebe. Se não tivéssemos sua Palavra, e as evidências de seu amor, experimentadas todos os dias, diríamos que Deus é um enigma. Mas não é exatamente assim. Deus é silêncio, desde sempre e para sempre. Opera silenciosamente nas profundidades da alma” (cf. ibidem). Caro leitor! Deus age sempre de forma gratuita e isso não há como explicar. É silêncio. Com certeza, podemos afirmar que Deus é desconcertante. Tudo parte dele: a graça, a glória, o mérito e o salário. Temos, às vezes, a impressão de que Deus nos abandonou. Mas os critérios Dele são diferentes. A graça sempre atua no silêncio e penetra silenciosamente nas entranhas da natureza humana. Como peregrinos, aprendamos com Maria, pois ela também percorreu na fé os mesmos caminhos que nós. Ela precisou buscar, entre sombras e luzes, o verdadeiro Rosto de Jesus. Não há coisa mais pesada que sentir a ausência de Deus, embora os olhos da fé vejam o essencial, mas como Maria orante e confiante, podemos também dizer que não existe mais embriagante doçura do que o Rosto do Pai aparecer por trás das nuvens.

Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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