
O TRABALHO DIGNIFICA: O DESAFIO PARA EQUILIBRAR VIDA FAMILIAR, PROFISSIONAL E ESPIRITUAL
Caro leitor! O documento de Aparecida, no nº120 p.66, nos faz uma abordagem muito pertinente ao trabalho. O texto se intitula: “A Boa Nova da atividade humana”. Vejamos: Louvamos a Deus porque na beleza da criação, que é obra de suas mãos, resplandece o sentido do trabalho como participação na sua tarefa criadora e como serviço aos irmãos. Jesus o carpinteiro (cf. Mc.6,3) dignificou o trabalho e o trabalhador e recorda que o trabalho não é mero apêndice da vida, mas que constitui uma dimensão fundamental da existência do homem na terra, pela qual o homem e a mulher se realizam como seres humanos. O trabalho garante a dignidade e a liberdade do homem, e provavelmente “a chave essencial de toda a questão social”. Ora, é significativa a referência ao frisar o trabalho como algo que dignifica e valoriza o ser humano enquanto pessoa. Por outro lado, nos mostra a teologia e a mística do mesmo baseada na Revelação Bíblica, como complementação da obra da Criação de Deus. É aí que não podemos ver o trabalho como um “apêndice da vida”, mas como parte essencial no processo de realização humana. O Doc. Aparecida chama de “cultura do trabalho”. Embora seja necessário ter em mente que haja um equilíbrio entre “trabalho e repouso”. Esse é um desafio, já que a civilização pós-moderna vive hoje uma frenética cultura consumista que atiça o ativismo. Com isso, perdemos o verdadeiro senso da vida, do lúdico invertendo o sentido sagrado do trabalho, nos transformando em escravos do mesmo.
A JUSTA MEDIDA ENTRE A ATIVIDADE EMPRESARIAL, O TRABALHO E O TRABALHADOR.
O Doc. Ap. nº122 p.67 faz uma afirmação digna de reflexão. Vejamos: “A atividade empresarial é boa e necessária quando respeita a dignidade do trabalhador, o cuidado com o meio ambiente e se orienta para o bem comum. Pervertem-se quando, buscando só o lucro, atenta contra os direitos dos trabalhadores e a justiça”. E continua o texto: “quando a pessoa humana e suas exigências fundamentais não constituem o critério ético, a ciência e a tecnologia voltam-se contra o homem que as criou”. Caro leitor! O dia do trabalho e do trabalhador exige um olhar crítico sobre os pressupostos da atual crise financeira mundial. Com certeza, o ponto de partida se encontra numa inversão de um princípio, ou seja, quando a pessoa deveria ser prioridade e fim em si, a realidade é que a economia se tornou a “arché”, a raiz determinante. E isso é trágico, pois o resultado não poderia ser outro do que a atual crise que estamos vivendo.
O DRAMA DA ATUAL CRISE ECONÔMICA MUNDIAL E SEU IMPACTO.
Será que nesse dia 1º de Maio de 2009, temos algo a celebrar quanto ao trabalho e o trabalhador? O momento é delicado e talvez temos pouco a comemorar, mas, sim, a refletir ante os pressupostos da atual situação. A hora é para todos e de modo especial, aos responsáveis pela condução dos rumos da economia para buscar novos critérios e valores baseados não apenas no lucro, mas no bem comum de toda a humanidade, já que a globalização tornou o planeta uma aldeia onde tudo está entrelaçado. A Santa Sé ao participar do Conselho dos Direitos do Homem fez uma intervenção em relação à crise econômica mundial e afirmou: “(...) A crise financeira mundial causou uma recessão global com consequências sociais dramáticas, incluindo a perda de milhões de postos de trabalho e o grave risco que para muitos países em vias de desenvolvimento os ‘Objetivos de Desenvolvimento’ do milênio não se possam alcançar”. E ainda: “A comunidade internacional tem a responsabilidade legítima de perguntar por que se criou esta situação e de quem é a responsabilidade e de que modo uma solução concordada nos pode fazer sair da crise e facilitar o restabelecimento dos direitos” (cf. L’Osservatore Romano.07/03/2009.p.2).
AS PREVISÕES OBSCURAS DO BANCO MUNDIAL PARA 2009.
De acordo com a fonte, a crise atual foi causada pelo comportamento problemático de alguns setores do sistema financeiro e econômico, e nesse inclui os administradores bancários e quantos deveriam ter sido mais diligentes no que diz respeito aos sistemas de monitoramento e de fiança. Eles são os que têm a responsabilidade pelos problemas, apesar de as causas da crise têm algo mais profundo ainda. O Banco Mundial num recente documento calcula que em 2009, a atual crise econômica global poderá impelir mais 53 milhões de pessoas para baixo do limiar de 2 (dois) dólares por dia. Ora, isso significa que vamos acrescentar aos 130 milhões de pessoas forçadas à pobreza em 2008 devido ao aumento do preço dos produtos alimentares e da energia. De acordo com a fonte em que me baseio, significa que as tendências ameaçam gravemente o êxito da luta à pobreza dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio até 2015. Com certeza a taxa da mortalidade infantil será significativa, assim como vai refletir nos países pobres. Caro leitor! Diante desse quadro, penso que os responsáveis pela economia mundial, de modo especial nós cristãos temos uma missão desafiadora como discípulos de Jesus Cristo. O consumo desmedido e sem critério só pode levar a desestruturação da sociedade como um todo. Deus criou o mundo para todos e os bens para que todos possam se beneficiar. É preciso avaliar quais caminhos e valores estamos elegendo para solucionar a crise! Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS – Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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O Doc. Ap. nº122 p.67 faz uma afirmação digna de reflexão. Vejamos: “A atividade empresarial é boa e necessária quando respeita a dignidade do trabalhador, o cuidado com o meio ambiente e se orienta para o bem comum. Pervertem-se quando, buscando só o lucro, atenta contra os direitos dos trabalhadores e a justiça”. E continua o texto: “quando a pessoa humana e suas exigências fundamentais não constituem o critério ético, a ciência e a tecnologia voltam-se contra o homem que as criou”. Caro leitor! O dia do trabalho e do trabalhador exige um olhar crítico sobre os pressupostos da atual crise financeira mundial. Com certeza, o ponto de partida se encontra numa inversão de um princípio, ou seja, quando a pessoa deveria ser prioridade e fim em si, a realidade é que a economia se tornou a “arché”, a raiz determinante. E isso é trágico, pois o resultado não poderia ser outro do que a atual crise que estamos vivendo.
O DRAMA DA ATUAL CRISE ECONÔMICA MUNDIAL E SEU IMPACTO.
Será que nesse dia 1º de Maio de 2009, temos algo a celebrar quanto ao trabalho e o trabalhador? O momento é delicado e talvez temos pouco a comemorar, mas, sim, a refletir ante os pressupostos da atual situação. A hora é para todos e de modo especial, aos responsáveis pela condução dos rumos da economia para buscar novos critérios e valores baseados não apenas no lucro, mas no bem comum de toda a humanidade, já que a globalização tornou o planeta uma aldeia onde tudo está entrelaçado. A Santa Sé ao participar do Conselho dos Direitos do Homem fez uma intervenção em relação à crise econômica mundial e afirmou: “(...) A crise financeira mundial causou uma recessão global com consequências sociais dramáticas, incluindo a perda de milhões de postos de trabalho e o grave risco que para muitos países em vias de desenvolvimento os ‘Objetivos de Desenvolvimento’ do milênio não se possam alcançar”. E ainda: “A comunidade internacional tem a responsabilidade legítima de perguntar por que se criou esta situação e de quem é a responsabilidade e de que modo uma solução concordada nos pode fazer sair da crise e facilitar o restabelecimento dos direitos” (cf. L’Osservatore Romano.07/03/2009.p.2).
AS PREVISÕES OBSCURAS DO BANCO MUNDIAL PARA 2009.
De acordo com a fonte, a crise atual foi causada pelo comportamento problemático de alguns setores do sistema financeiro e econômico, e nesse inclui os administradores bancários e quantos deveriam ter sido mais diligentes no que diz respeito aos sistemas de monitoramento e de fiança. Eles são os que têm a responsabilidade pelos problemas, apesar de as causas da crise têm algo mais profundo ainda. O Banco Mundial num recente documento calcula que em 2009, a atual crise econômica global poderá impelir mais 53 milhões de pessoas para baixo do limiar de 2 (dois) dólares por dia. Ora, isso significa que vamos acrescentar aos 130 milhões de pessoas forçadas à pobreza em 2008 devido ao aumento do preço dos produtos alimentares e da energia. De acordo com a fonte em que me baseio, significa que as tendências ameaçam gravemente o êxito da luta à pobreza dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio até 2015. Com certeza a taxa da mortalidade infantil será significativa, assim como vai refletir nos países pobres. Caro leitor! Diante desse quadro, penso que os responsáveis pela economia mundial, de modo especial nós cristãos temos uma missão desafiadora como discípulos de Jesus Cristo. O consumo desmedido e sem critério só pode levar a desestruturação da sociedade como um todo. Deus criou o mundo para todos e os bens para que todos possam se beneficiar. É preciso avaliar quais caminhos e valores estamos elegendo para solucionar a crise! Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS – Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha


