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CF- 2009 – "SEGURANÇA PÚBLICA" A CULTURA DA SOCIEDADE DE CONSUMO ENVOLVE O ESQUECIMENTO E NÃO O APRENDIZADO

Caro leitor! A CNBB ao elaborar as diretrizes gerais da Ação Evangelizadora 2008-2010 ressalta com muita propriedade aspectos de fundamental importância para a segurança e o desenvolvimento de uma sociedade saudável. No nº96 p.69 das diretrizes acena para a necessidade de formar leigos (as) comprometidos com a transformação, bem como investir pesado e com determinação nos novos presbíteros, pois, como diz o texto: “(...) a realidade se torna cada vez mais complexa, exigindo conhecimento e atuação especializados (...) ao mesmo tempo em que se forma a identidade cristã, é preciso conhecer as diversas realidades”. Por quê? Ora, não podemos perder de vista as grandes questões que afetam o povo brasileiro e o mundo como um todo, sob a perversa e ambígua ideologia da globalização, nem às questões ligadas aos problemas sócio-econômicos e políticos. Urge agentes de pastoral e, especialmente, sacerdotes, preparados devidamente com especialização nas diversas áreas para manter um diálogo sério e profundo com as diversas culturas, de modo especial a cultura urbana. No nº16 das diretrizes diz ainda: “Os meios de comunicação invadiram todos os espaços e todas as conversas, introduzindo-se na intimidade do lar”. Na verdade eles estão competindo com a sabedoria das tradições. E continua: “A falta de verdadeira informação, que se busca suprir com novas informações, intensifica a ansiedade de quem percebe que está em um mundo opaco, que não compreende”(cf.ibidem p.21). Observando atentamente, podemos inferir que quem se beneficia dessa globalização unidimensional são os países mais ricos, o que desencanta. Por outro lado, as vítimas mais atingidas são as novas gerações, pois, há uma divisão nítida entre fé e moral. Os jovens são idealistas e chamados a grandes ideais, contudo, são as primeiras vítimas dessa cruel ideologia da globalização unidimensional, fato que gera frustração e insegurança frente a um futuro incerto. Ora, um dos fatores que gera violência é o fato dos jovens não terem uma perspectiva animadora.


O DESENCANTO DA JUVENTUDE.

Caro leitor! Muitos jovens, especialmente universitários me procuram para aconselhamento, pois se acham desorientados em alto mar, sob ondas gigantes sem perspectivas de futuro, pois esse é incerto. Daí, questiono os meios de comunicação social, os pais, os professores e as instituições, muitas vezes com fachada de cristã, bem como paróquias e comunidades que não buscam novas formas de evangelizar colégios, universidades e etc. Parece que muitos agentes de pastoral e sacerdotes, continuam tendo na cabeça o “ronco da carroça” que não permite novas formas de evangelizar a não ser aquelas baseadas numa cultura de pequena aldeia, quando a grande maioria hoje, vive numa cultura essencialmente urbana e pluralista. Daí o desafio! É preciso “Novos métodos e novo ardor” (cf.João Paulo II). As diretrizes da CNBB, inspiradas no Documento de Aparecida, nos abrem um leque rico, porém, precisa sair do papel à prática. Muitos elementos que ali se encontram, com certeza, desestruturam os velhos esquemas tradicionais de uma fé homogênea e regular. Ora, isso é um desafio e precisa antes de estratégias e técnicas pastorais, uma espiritualidade cristocêntrica, sólida e forte, que dê credibilidade à toda ação evangelizadora. Só assim vamos buscar os que estão fora da Igreja e indo ao encontro dos mesmos. Não são suficientes os “Movimentos”, aliás, que são positivos, contudo, é preciso outras formas, pois, são limitados. As novas gerações estão sedentas de autênticos valores e essas têm aspirações profundas. No entanto, o que respiramos nos ares da atualidade? Uma cultura do individualismo pragmático e narcisista que despertam nelas mundos imaginários especiais de liberdade e igualdade. Afirmam o presente porque o passado perdeu relevância diante de tantas exclusões sociais, políticas e econômicas. Para elas o futuro é incerto. (fonte: Diretrizes – CNBB).


GLOBALIZAÇÃO, O CONSUMO E A FRUSTRAÇÃO EXISTENCIAL

Caro leitor! “A globalização arrasta as economias para produção do efêmero, do volátil por meio de uma redução em massa e universal da durabilidade dos produtos e serviços, do precário e empregos temporários, flexíveis e do meio expediente” (cf.op.cit. Petrella, Ricardo – “Une machine”, Le monde diplomatique – 1997 – p.17- in Bauman,Zygmunt – p.86). Na verdade a economia de mercado está à caça global de lucros e mais lucros que rebatizaram com o nome de “crescimento econômico”. Por isso, a indústria atual funciona sempre mais para produzir artigos que atraem, seduz e tentam o consumidor. Ora, parece não ter limites pois nunca satisfaz. Bauman diz: “A própria noção de “limite” precisa de dimensões espaços-temporais. O efeito de “tirar a espera do desejo” é tirar o desejo da espera”. A roda mágica do consumo é a tentação de muitos que perdem o controle pelos seus impulsos, de modo especial os jovens. Conseqüentemente perdem a identidade e são diluídos no “Todo”. Que tragédia! Como encontrar segurança num mundo cujo chão é composto de areia movediça?

Pense e reflita.
Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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