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ANO NOVO - 2009: REINVENTAR NOVAS FORMAS PARA UMA ECONOMIA INTERNACIONAL SUSTENTÁVEL

Caro leitor! Ao iniciarmos um novo período da história, e passado todas as festas e a virada de ano, muitas questões de fundamental importância voltam a fazer parte da pauta diária. O mundo viveu no final de 2008, uma tempestade de incertezas, medos e inseguranças frente ao futuro. As festividades amenizaram o impacto, contudo, passado às mesmas, o realismo da vida volta, acenando para a provisoriedade do tempo. E então? O que fazer? Será que as previsões dos analistas da economia para 2009 têm sustentação? A partir dessa crise, onde o barco da economia está ancorado? Muitos se perguntam: Como foi que chegamos a esta desastrosa situação mundial? Aliás, diga-se de passagem, nunca se falou tanto em ética nos negócios e nas finanças, contudo, está aí uma estranha situação. Vejamos: “(...) chegou-se à emergência financeira de hoje, depois de um longo período em que, forçados pelo objetivo imediato de alcançar resultados financeiros a curto prazo, foram descuidadas as dimensões próprias das finanças: efetivamente, a sua verdadeira natureza consiste em favorecer a utilização dos recursos poupados quanto eles beneficiam a economia real, o bem-estar, o desenvolvimento do homem todo e de todos os homens” (cf. Paulo VI. Populorum Progressio. nº14). A ganância pelo ter é uma das causas mais prementes da crise em todos os mercados mundiais, de modo especial, dos países ricos. É preciso que eles comecem a ter uma visão bem mais humana, madura, objetiva para uma economia que contemple a todos e de modo especial às nações mais pobres. Precisamos sim, em 2009, refazer a economia com novos critérios, sob a coordenação de novas lideranças que contemplem uma economia baseada na justiça, tendo em consideração, novas formas em matéria monetária, financeira e comercial. É preciso sangue novo na liderança mundial para que isso se torne uma realidade.


A CRISE ECONÔMICA SE ESCONDEU NOS “PORÕES” DOS GIGANTES GESTORES DA MESMA POR LONGO TEMPO.

A Encíclica “Populorum Progressio” de Paulo VI já antecipava os problemas que a médio e longo prazo ocorreriam a toda a humanidade, caso não levassem em conta determinados critérios, mormente, os de natureza política e social. A ONU, dia 29/11 a 02/12 próximo passado em “Doha” no Dakar revisou o Documento sobre o financiamento para o desenvolvimento, aprovado em 2002 em Monterrey – chamado – “Monterrey Consensus”. Esse Documento tinha seis capítulos que falava sobre questões essenciais para financiar o desenvolvimento: Vejamos: 1- a mobilização de recursos internos; 2- os fluxos de capitais privados; 3- o comércio internacional; 4- as ajudas públicas ao desenvolvimento; 5- a questão da dívida externa; 6- a maneira para dar força e coerência ao sistema monetário, financeiro, comercial e global a favor do desenvolvimento. Apesar dos esforços dos líderes das nações desenvolvidas e de maneira particular os Estados Unidos, que, aliás, foi o pivô da crise e, essa, teve como pano de fundo os famosos empréstimos “subprime” que envolveu setores do sistema financeiro colocando em situação delicada a economia de muitos países, que não conseguiram mais sustentabilidade. Tentaram sem sucesso ocultar o problema que a certa altura se tornou impossível esconder. E eis a tragédia!.


QUAL A COLABORAÇÃO DA IGREJA PARA AJUDAR A BUSCAR SAÍDAS DIGNAS E SUSTENTÁVEI PARA SOLUCIONAR?

A Igreja tem consciência de que o papel que deve exercer não tem relação com questões de natureza política partidária, mas baseada no Evangelho que norteia a conduta da mesma sente o dever de orientar e apontar sugestões, bem como ser uma consciência crítica frente à questões muitas vezes propostas com pouca profundidade e realismo. Nesse sentido, através da “Doutrina Social da Igreja” que possui uma riqueza variada de princípios morais, essa contribui para uma solução realista e de esperança, tanto em relação aos problemas hoje em questão, ou seja, a crise financeira mundial, como os de outra ordem, referente ao bem comum.


CONTRIBUIÇÕES OBJETIVAS DA IGREJA PARA 2009 Á CRISE.

O Jornal L’osservatore Romano de 29/11/2008 sugere: 1- É necessário um novo pacto para refundar o sistema financeiro internacional: a questão dos centros financeiros “offshore” e do nexo entre financiamento do desenvolvimento e fiscalização; do mercado financeiro e das regras, do papel da sociedade civil no financiamento do desenvolvimento; 2- É necessário alcançar o ser moral mais profundo das pessoas, é preciso uma educação real ao exercício da responsabilidade em relação ao bem de todos os indivíduos, em todos os níveis: agentes financeiros, famílias, empresas, instituições financeiras, autoridades públicas e sociedade civil; 3- Uma educação à responsabilidade que possa encontrar um fundamento sólido em alguns princípios indicados pela Doutrina social da Igreja, que são patrimônio de todos e fundamento de toda a vida social: o bem comum universal dos bens e a prioridade do trabalho sobre o capital.

Caro leitor. Eis o desafio para 2009. Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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