
A INTERFACE DOS TERMINAIS DO COMPUTADOR: AS CONSEQUÊNCIAS PARA AS NOVAS GERAÇÕES PRIVADAS DE UMA INTRODUÇÃO AO PENSAR CRÍTICO
Caro leitor! Neste quarto domingo do Advento, a liturgia nos fala que Deus quer caminhar conosco, mas não trancados no templo. Estranhamente na era da informática sentimos, cada vez mais, uma facilidade para nos apossar de informações, contudo, por outro lado, nesse mundo virtual se esconde uma nova elite, exploradora, sutilmente trancada no templo do seu quarto, escritório e outros, num anonimato sem precedente passando as coordenadas dos novos princípios e valores, sem estar preocupados com suas conseqüências. Hoje, não há organização, seja de natureza educacional, empresarial, religiosa e/ou outras cujos membros não tenham acesso a essa tecnologia. De maneira especial, se destacam as crianças, os jovens que fascinados por essa tecnologia que facilita tudo o que se possa imaginar usam e abusam desses meios e assim, dessa forma, anônimos empresários do setor que a cada dia se enriquecem a custa de muitas crianças e jovens. Os responsáveis pela formação da nova geração devem sentir-se desafiados a prepará-la no uso da informática dentro de uma filosofia crítica. “A informação agora flui independente dos seus portadores” (cf. Bauman, Zygmunt – Globalização – As conseqüências humanas – Zahar – p.26).
O CIBERESPAÇO ELETRONICAMENTE SUSTENTADO.
Caro leitor! Se por um lado nos alegramos por essa tecnologia que tem nos encurtado distâncias, por outro, precisamos nos preocupar urgentemente para onde estamos sendo levados sem preparar criticamente as novas gerações ao perigo que está nesse “Cavalo de Tróia” do mundo contemporâneo da informática. Por quê? Os campeões do ciberespaço têm a comunicação virtual como o lugar ideal onde o “EU” é libertado das limitações da encarnação física. Vejamos alguns aspectos aos quais precisamos ficar atentos, pais, professores, colégios, e outras organizações que, muitas vezes, de forma ingênua, não acompanham os jovens no que estão fazendo no computador, trancados no seu quarto. 1- No ciberespaço, os corpos não interessam. 2- Fazem a experiência da não-terrestrialidade do poder vivida com uma combinação extraordinária e assustadora do etéreo com a onipotência, do não-físico com um poder conformador com a realidade. 3- Fazem uma nova experiência de liberdade corporificada no ciberespaço eletronicamente sustentado. 4- Há uma nova forma de poder que viaja mais rápido do que nunca. Graças à nova “incorporeidade” do poder na sua forma, sobretudo financeira, os detentores do poder tornam-se realmente extraterritoriais, ainda que corporalmente estejam “no lugar”. Seu poder está, real e integralmente, não “fora deste mundo” – não do mundo físico no qual constroem suas casas e escritórios supergivigiados, eles próprios extraterritoriais, livres da intromissão de vizinhos importunos, isolados do que quer que se possa chamar de uma comunidade local, inacessíveis a quem quer que esteja (ao contrário deles) a ela confinada. 5- Hoje se quer um e-mail, para que ninguém saiba com certeza onde reside. Curiosamente, muitas mensagens no máximo podem redundar em sofrimento, mesmo que muitas vezes pretendam trazer alegria. 6- E os famosos “Orkut”, “MSN”, “Second life” e etc.? Quantos jovens e outras pessoas estão se perdendo com isso? Tenho recebido muitos pais nos últimos tempos desconcertados por esses estarem levando seus filhos a condutas estranhas e comprometedoras! “Os originais extraterritoriais entram na vida localmente confinada apenas como caricaturas; talvez como mutantes e monstros. No caminho, expropriam os poderes éticos dos habitantes locais, despojando-os de todos os meios para limitar o dano” (cf.ibidem- p.33). 7- A linguagem criada pela informática hoje, é tão vasta que se torna difícil descrever os “neologismos” por ela criados. Pergunto: Que tipo de esperança podemos vislumbrar do futuro? Até que ponto podemos confiar nessa engenharia humana, bela, fascinante, mas que está sempre mais nos inquietando nosso mundo? Tudo parece confirmar a efemeridade das coisas quando esquecemos que a esperança vai muito além da provisoriedade do tempo e do avanço da tecnologia da informática. Tudo isso deveria ajudar a criar um mundo mais humano. Contudo, da maneira como estamos vivendo, necessitamos parar, refletir, e ver o que Deus tem a nos dizer nesse tempo de advento que antecede o Santo Natal.
“NÃO TENHAS MEDO MARIA, ENCONTRASTE GRAÇA DIANTE DE DEUS”. (cf. Lc. 1, 30).
No quarto domingo do advento, aparece-nos a figura de Maria. De acordo com a Encíclica “Spe Salvi” nº49, vemos que ela é para nós a estrela da esperança. Ela através do seu “SIM”, abriu ao próprio Deus a porta de nosso mundo. Ela que se tornou a Arca da Aliança viva, onde Deus se fez carne, tornou-se um de nós e veio morar em nosso meio (cf. Jo 1,14). O processo da globalização em que vivemos parece refletir o antídoto da esperança e da libertação pelo rumo ambíguo de algumas tendências, de modo especial, o que a informática mal conduzida está provocando na vida das pessoas. O Natal que se aproxima deve fazer cristãos e homens de boa vontade ver que “CRISTO” é o único sol erguido sobre todas as trevas da história e que não engana ninguém.
Caro leitor! Pense e reflita.
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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Caro leitor! Se por um lado nos alegramos por essa tecnologia que tem nos encurtado distâncias, por outro, precisamos nos preocupar urgentemente para onde estamos sendo levados sem preparar criticamente as novas gerações ao perigo que está nesse “Cavalo de Tróia” do mundo contemporâneo da informática. Por quê? Os campeões do ciberespaço têm a comunicação virtual como o lugar ideal onde o “EU” é libertado das limitações da encarnação física. Vejamos alguns aspectos aos quais precisamos ficar atentos, pais, professores, colégios, e outras organizações que, muitas vezes, de forma ingênua, não acompanham os jovens no que estão fazendo no computador, trancados no seu quarto. 1- No ciberespaço, os corpos não interessam. 2- Fazem a experiência da não-terrestrialidade do poder vivida com uma combinação extraordinária e assustadora do etéreo com a onipotência, do não-físico com um poder conformador com a realidade. 3- Fazem uma nova experiência de liberdade corporificada no ciberespaço eletronicamente sustentado. 4- Há uma nova forma de poder que viaja mais rápido do que nunca. Graças à nova “incorporeidade” do poder na sua forma, sobretudo financeira, os detentores do poder tornam-se realmente extraterritoriais, ainda que corporalmente estejam “no lugar”. Seu poder está, real e integralmente, não “fora deste mundo” – não do mundo físico no qual constroem suas casas e escritórios supergivigiados, eles próprios extraterritoriais, livres da intromissão de vizinhos importunos, isolados do que quer que se possa chamar de uma comunidade local, inacessíveis a quem quer que esteja (ao contrário deles) a ela confinada. 5- Hoje se quer um e-mail, para que ninguém saiba com certeza onde reside. Curiosamente, muitas mensagens no máximo podem redundar em sofrimento, mesmo que muitas vezes pretendam trazer alegria. 6- E os famosos “Orkut”, “MSN”, “Second life” e etc.? Quantos jovens e outras pessoas estão se perdendo com isso? Tenho recebido muitos pais nos últimos tempos desconcertados por esses estarem levando seus filhos a condutas estranhas e comprometedoras! “Os originais extraterritoriais entram na vida localmente confinada apenas como caricaturas; talvez como mutantes e monstros. No caminho, expropriam os poderes éticos dos habitantes locais, despojando-os de todos os meios para limitar o dano” (cf.ibidem- p.33). 7- A linguagem criada pela informática hoje, é tão vasta que se torna difícil descrever os “neologismos” por ela criados. Pergunto: Que tipo de esperança podemos vislumbrar do futuro? Até que ponto podemos confiar nessa engenharia humana, bela, fascinante, mas que está sempre mais nos inquietando nosso mundo? Tudo parece confirmar a efemeridade das coisas quando esquecemos que a esperança vai muito além da provisoriedade do tempo e do avanço da tecnologia da informática. Tudo isso deveria ajudar a criar um mundo mais humano. Contudo, da maneira como estamos vivendo, necessitamos parar, refletir, e ver o que Deus tem a nos dizer nesse tempo de advento que antecede o Santo Natal.
“NÃO TENHAS MEDO MARIA, ENCONTRASTE GRAÇA DIANTE DE DEUS”. (cf. Lc. 1, 30).
No quarto domingo do advento, aparece-nos a figura de Maria. De acordo com a Encíclica “Spe Salvi” nº49, vemos que ela é para nós a estrela da esperança. Ela através do seu “SIM”, abriu ao próprio Deus a porta de nosso mundo. Ela que se tornou a Arca da Aliança viva, onde Deus se fez carne, tornou-se um de nós e veio morar em nosso meio (cf. Jo 1,14). O processo da globalização em que vivemos parece refletir o antídoto da esperança e da libertação pelo rumo ambíguo de algumas tendências, de modo especial, o que a informática mal conduzida está provocando na vida das pessoas. O Natal que se aproxima deve fazer cristãos e homens de boa vontade ver que “CRISTO” é o único sol erguido sobre todas as trevas da história e que não engana ninguém.
Caro leitor! Pense e reflita.
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha


