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A VERDADEIRA MUDANÇA DO CORAÇÃO HUMANO ACONTECE QUANDO RECONHECEMOS NOSSA LIMITAÇÃO E NOS ABRIMOS A DEUS

Caro leitor! Estamos iniciando o tempo do “Advento”, em preparação ao “Santo Natal”. Ora, após essa solenidade encerra o ano civil, para emergir um “Ano Novo”. Cada ano, sempre reacende a esperança de algo melhor pela frente. A Encíclica “Spe Salvi” de Bento XVI vem ao encontro do homem contemporâneo para indicar e alertar que nossas esperanças não podem se fundamentar apenas nas coisas factíveis das mudanças históricas seja nas áreas da ciência, do progresso tecnológico e cultural e muito menos colocar a esperança no sistema financeiro como verdade última e definitiva. Curiosamente, muitos, nos afazeres diários, estão tão obcecados, que esquecem a efemeridade do mundo. Alguns só acordam ante uma crise de proporções significativas. É o caso da recessão econômica dos Estados Unidos, cuja economia mundial sentiu o falsear do chão que pisa. Por outro lado, outros insistem em responder tudo, confiando apenas no poder da razão, como se essa tivesse a magia da solução.


A CRISE FINANCEIRA MUNDIAL E O DESCONFORTO GERAL.

Ao verificarmos a história retrospectiva da humanidade de maneira honesta, chega-se a conclusão de que não existe nenhum sistema político, econômico, que, definitivamente responde aos anseios do coração humano. Dentre muitos fatos, podemos nos deter hoje na recessão econômica norte-americana, que abalou todos os mercados financeiros. Ora, isso veio provar, mais uma vez, que não existe um sistema econômico que cresce infinitamente, pois tudo é efêmero e volátil, enquanto estamos inseridos na temporalidade. Quem apostou tudo no sistema financeiro, como verdade última, sentiu na pele que o terreno que pisa é um pântano perigoso. É uma falsa esperança! O Fórum Econômico Mundial que desde 1971 reúne na cidade de Davos empresários, acadêmicos, autoridades, ativistas e artistas de vários países para debater problemas que afetam o mundo, iniciou em clima de apreensão e de dúvida sobre o rumo da economia mundial. O clima foi de pessimismo provocado por turbulências enfrentadas pela economia americana, que ameaçam contaminar o restante do mundo. Aliás, esse foi o tom das discussões em Davos. Especialistas dizem que o mundo enfrenta o maior nível de incertezas sobre o futuro, a médio e curto prazo, em uma década. O relatório, chamado Global Risk 2008, diz que: “a incerteza se concentra em como a economia global vai responder à disseminação da crise de liquidez de 2007”. Os participantes do fórum tentarão chegar a responder questões tais se os Estados Unidos realmente caminham para uma recessão, e se essa eventual recessão contaminaria o resto do mundo e se, em caso de contaminação, os grandes países emergentes, como Brasil, China, Índia e Rússia, poderiam continuar crescendo e eventualmente compensar a desaceleração da economia nos países desenvolvidos. O possível pessimismo nos debates deste ano contrasta com o forte otimismo e a euforia que vinham dominando o fórum nos últimos anos, graças à forte expansão da economia mundial. Além dos problemas econômicos, o documento-base deste ano alerta para os riscos geopolíticos, principalmente para uma possível escalada das tensões com o Irã e para as preocupações relacionadas à integridade de países como o Iraque e Afeganistão. Regionalmente, os autores alertam para um pequeno risco de colapso de algum governo frágil da América Latina que possa espalhar incertezas políticas e econômicas pela região. O Global Risk 2008 também diz que a incerteza nessas áreas pode ter um impacto negativo em outras questões importantes, como o combate ao aquecimento global. O Fórum deste ano reúne mais de 2.500 participantes de 88 países. A maioria dos participantes é formada por empresários e conta com a presença de 27 chefes de Estado e 113 ministros. Do Brasil está o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O tema do fórum desse ano é: “Competir colaborando”. (fonte: internet - várias).


O ADVENTO E A ENCÍCLICA “SPE SALVI” COMO INDICADORES DA VERDDEIRA ESPERANÇA PARA UM MUNDO DE INCERTEZAS

Caro leitor! Nesse tempo litúrgico, os cristãos e todos os homens de boa vontade são convidados a refletir sobre os verdadeiros valores que dão sustentabilidade para as incertezas em que vive o homem contemporâneo. Com certeza, podemos e devemos usufruir dos bens desse mundo, mas sem nos apegar de forma absoluta, pois tudo passa. Quando priorizamos o factível afundamos no mar do “sem-sentido”. A mística do advento nos faz ver a provisoriedade das coisas, pois a verdadeira esperança tem seu fundamento em Deus que se deu a conhecer através de Jesus Cristo pelo mistério da Encarnação na história humana. A sociedade e seus líderes, bem como a Igreja como colaboradora, devem organizar todos os setores da mesma para gerir um mundo cujo fim é o BEM COMUM. “Davos” teve como tema: “COMPETIR COLABORANDO”. Já é um começo, desde que isso não signifique um humanismo horizontal desvinculado de Deus, pois essa experiência e suas conseqüências já nos são conhecidas. Precisamos ter consciência de completarmos a obra da Criação em sintonia com o Criador. “Deus é o fundamento da esperança (...) aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até o fim (...) seu amor é garantia que não nos decepciona” (cf.Spe Salvi-nº31. resumido). Caro leitor!

Pense e reflita.
Paróquia N. Sra. de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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