
A DIFÍCIL ARTE DE EXERCER A MEDICINA NUMA SOCIEDADE PLURALISTA E DESCONCERTANTE
Caro leitor! Amanhã dia 18/10, o calendário da Igreja celebra a festa do evangelista São Lucas, patrono dos médicos. Nasceu na Síria, séc. I e exerceu a profissão de médico. Foi companheiro nas viagens de Paulo e é considerado autor do evangelho do mesmo nome e dos Atos dos Apóstolos. Evangelista do amor e da misericórdia divina. Descreve Jesus como o amigo dos pobres e das mulheres. No livro dos Atos, traça o perfil ideal da Igreja, perseverante no ensinamento dos Apóstolos, na caridade fraterna, na fração do pão e na oração. (Fonte: Liturgia Diária. Ano XVI. n.º 202 p. 58).
A ESSÊNCIA DO EXERCÍCIO DA MEDICINA: DEFENDER E SALVAR VIDAS.
Todo o médico ao se formar, faz um juramento perante a sociedade numa solenidade na qual vai sempre trabalhar em favor da vida. Ora, partindo desse pressuposto, tal juramento tem em alta estima à “VIDA”, como um valor inquestionável. Esse é um princípio ético que está acima de religião, de ideologias, de política e etc. Entretanto, hoje, aqueles que exercem a medicina sentem que cada vez mais o exercício da mesma torna-se uma atividade complexa, dada as circunstâncias que permeiam os bastidores do mundo dominado pela economia de mercado. Diante disso, os profissionais da saúde, de modo especial os médicos, muitas vezes, são induzidos e pressionados por empresas que fornecem novas tecnologias que nem sempre estão ilesas de interesses do mercado. Com certeza, o uso da tecnologia de ponta deve sempre ajudar os pacientes, mas pode derivar de interesses lucrativos, da busca do aumento do prestígio ou mesmo o prazer em poder manipular, receitar, prescrever “mercadorias novas”. Nessas circunstâncias o ser humano, em muitas ocasiões, passa para o segundo plano e se torna objeto de uso como coisa e deixa de ser prioridade, tendo valor em si. Isso é extremamente grave.
OS LIMITES DA RAZÃO NA COMPREENSÃO DA VIDA.
Caro leitor! Entramos recentemente no século XXI, e ainda sofremos o impacto dos ranços da absolutização da razão, herança essa, do iluminismo do século XIX. Por outro lado, sentimos a razão como sendo um valor que, sem dúvida, Deus deu ao ser humano, mas nunca podemos esquecer que essa se encontra ainda na temporalidade e, portanto, não tem a última palavra sobre a realidade. Vejamos: “A razão é a atividade intelectual que procura compreender as situações da vida, suas causas e conseqüências. Faz as pessoas avançarem. A razão descobre e desvenda os segredos da natureza humana e cósmica; por meio de conhecimentos científicos, proporciona novas e importantes descobertas. Graças ao uso da razão, a humanidade deu passos gigantes. Não se vive sem razão. É típico da razão saber provar, comprovar, ligar causas e efeitos, avançar, superar barreiras. Mas há perguntas e anseios que a razão não sabe explicar” (cf. Mosconi, Pe.Luis. Dar um sentido verdadeiro à vida. O maior desafio do ser humano. Paulinas. p.57). Ora, de acordo com esse escritor, a razão é uma luz importante, mas não consegue clarear tudo; precisa de outra luz. É o que chamamos de “FÉ”. Significa apostar em alguém em quem confiamos. Em 1948, Viktor Frankl proferiu uma palestra, onde questionou a tese de Freud, segundo a qual o nosso inconsciente é dominado por instintos, especialmente o sexual. Ao longo dos anos, Frankl foi aprofundando no fato de defender a existência de um inconsciente espiritual. (fonte: A presença ignorada de Deus. Vozes. 2004. Viktor Frankl). Portanto, podemos afirmar que a ciência necessita da fé. Caro leitor! Fé não é uma questão de prática religiosa, mas uma postura de vida, não é ingenuidade, não é fuga da responsabilidade, não é algo irracional. “Ciência sem religião é manca. Religião sem ciência é cega” (Albert Einstein. 1879 – 1955). Os profissionais da saúde devem, cada vez mais, redescobrir a força da transcendência no processo de cura de qualquer paciente. Isso hoje é comprovado cientificamente. Não há cura sem fé!
MEDICINA E BIOÉTICA.
As questões de ética nas práticas biomédicas não nasceram da bioética, mas de uma longa tradição que remonta ao juramento de Hipócrates (século V a.C.). Diferentes valores (fidelidade, serviço ao doente, quaisquer que sejam suas origens, segredo e discrição) e princípios, sobretudo não prejudicar e destruir uma vida humana. Esses valores e princípios foram expressos pelas corporações profissionais. Cito algumas como: Associação Médica Mundial (1949); Declaração de Helsinque (1964); Organização Mundial de Saúde, OMS; Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948) e etc. A Bioética é uma ciência aberta, onde participam médicos, teólogos, filósofos, biólogos e outras áreas afins, dado a complexidade que envolve, na atualidade, o ser humano. Por isso, na maioria dos Hospitais de médio e grande porte, vemos o que se chama de “Comitês de Ética”, para discutir casos difíceis para a própria medicina.
AOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE E TODOS OS (AS) MÉDICOS (AS).
Queridos irmãos da saúde, não posso deixar de saudá-los pela passagem do Dia do MÉDICO, cujo patrono é o evangelista São Lucas, que também era médico. Tenho grande apreço pelo árduo trabalho que vocês exercem e nem sempre são compreendidos, mas Deus sabe a dedicação de vocês no bom desempenho de vossa missão.
Parabéns! Que Deus vos abençoe! Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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Todo o médico ao se formar, faz um juramento perante a sociedade numa solenidade na qual vai sempre trabalhar em favor da vida. Ora, partindo desse pressuposto, tal juramento tem em alta estima à “VIDA”, como um valor inquestionável. Esse é um princípio ético que está acima de religião, de ideologias, de política e etc. Entretanto, hoje, aqueles que exercem a medicina sentem que cada vez mais o exercício da mesma torna-se uma atividade complexa, dada as circunstâncias que permeiam os bastidores do mundo dominado pela economia de mercado. Diante disso, os profissionais da saúde, de modo especial os médicos, muitas vezes, são induzidos e pressionados por empresas que fornecem novas tecnologias que nem sempre estão ilesas de interesses do mercado. Com certeza, o uso da tecnologia de ponta deve sempre ajudar os pacientes, mas pode derivar de interesses lucrativos, da busca do aumento do prestígio ou mesmo o prazer em poder manipular, receitar, prescrever “mercadorias novas”. Nessas circunstâncias o ser humano, em muitas ocasiões, passa para o segundo plano e se torna objeto de uso como coisa e deixa de ser prioridade, tendo valor em si. Isso é extremamente grave.
OS LIMITES DA RAZÃO NA COMPREENSÃO DA VIDA.
Caro leitor! Entramos recentemente no século XXI, e ainda sofremos o impacto dos ranços da absolutização da razão, herança essa, do iluminismo do século XIX. Por outro lado, sentimos a razão como sendo um valor que, sem dúvida, Deus deu ao ser humano, mas nunca podemos esquecer que essa se encontra ainda na temporalidade e, portanto, não tem a última palavra sobre a realidade. Vejamos: “A razão é a atividade intelectual que procura compreender as situações da vida, suas causas e conseqüências. Faz as pessoas avançarem. A razão descobre e desvenda os segredos da natureza humana e cósmica; por meio de conhecimentos científicos, proporciona novas e importantes descobertas. Graças ao uso da razão, a humanidade deu passos gigantes. Não se vive sem razão. É típico da razão saber provar, comprovar, ligar causas e efeitos, avançar, superar barreiras. Mas há perguntas e anseios que a razão não sabe explicar” (cf. Mosconi, Pe.Luis. Dar um sentido verdadeiro à vida. O maior desafio do ser humano. Paulinas. p.57). Ora, de acordo com esse escritor, a razão é uma luz importante, mas não consegue clarear tudo; precisa de outra luz. É o que chamamos de “FÉ”. Significa apostar em alguém em quem confiamos. Em 1948, Viktor Frankl proferiu uma palestra, onde questionou a tese de Freud, segundo a qual o nosso inconsciente é dominado por instintos, especialmente o sexual. Ao longo dos anos, Frankl foi aprofundando no fato de defender a existência de um inconsciente espiritual. (fonte: A presença ignorada de Deus. Vozes. 2004. Viktor Frankl). Portanto, podemos afirmar que a ciência necessita da fé. Caro leitor! Fé não é uma questão de prática religiosa, mas uma postura de vida, não é ingenuidade, não é fuga da responsabilidade, não é algo irracional. “Ciência sem religião é manca. Religião sem ciência é cega” (Albert Einstein. 1879 – 1955). Os profissionais da saúde devem, cada vez mais, redescobrir a força da transcendência no processo de cura de qualquer paciente. Isso hoje é comprovado cientificamente. Não há cura sem fé!
MEDICINA E BIOÉTICA.
As questões de ética nas práticas biomédicas não nasceram da bioética, mas de uma longa tradição que remonta ao juramento de Hipócrates (século V a.C.). Diferentes valores (fidelidade, serviço ao doente, quaisquer que sejam suas origens, segredo e discrição) e princípios, sobretudo não prejudicar e destruir uma vida humana. Esses valores e princípios foram expressos pelas corporações profissionais. Cito algumas como: Associação Médica Mundial (1949); Declaração de Helsinque (1964); Organização Mundial de Saúde, OMS; Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948) e etc. A Bioética é uma ciência aberta, onde participam médicos, teólogos, filósofos, biólogos e outras áreas afins, dado a complexidade que envolve, na atualidade, o ser humano. Por isso, na maioria dos Hospitais de médio e grande porte, vemos o que se chama de “Comitês de Ética”, para discutir casos difíceis para a própria medicina.
AOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE E TODOS OS (AS) MÉDICOS (AS).
Queridos irmãos da saúde, não posso deixar de saudá-los pela passagem do Dia do MÉDICO, cujo patrono é o evangelista São Lucas, que também era médico. Tenho grande apreço pelo árduo trabalho que vocês exercem e nem sempre são compreendidos, mas Deus sabe a dedicação de vocês no bom desempenho de vossa missão.
Parabéns! Que Deus vos abençoe! Pense e reflita!
Paróquia N.ª Sr.ª de Lourdes – Canela – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha


