
A VIDA: UM VALOR INEGOCIÁVEL
Caro leitor! A Igreja Católica do Brasil nessa semana realiza a “Promoção e defesa da vida”. Vivemos na cultura contemporânea um estranho paradoxo. De um lado, sonhamos e trabalhamos no desenvolvimento da ciência médica para que o ser humano possa ter maior longevidade, com lucidez e qualidade de vida, por outro lado, inspirados numa ética hedonista, esquecem de valorizar a “VIDA” como um valor inestimável banalizando a mesma, para satisfazer interesses escusos. Resultado: eliminam-se vidas que recém estão emergindo. Curiosamente pode-se afirmar que nos bastidores dessa tendência há um elenco de razões para tais atitudes. Vejamos algumas: gravidez indesejada, estupro, fetos com deformações, problemas de ordem social, seja econômica ou de outra ordem. O fato é que nada justifica tais procedimentos. Essa cultura de morte incrustada na sociedade contemporânea terá que ser combatida com veemência, e a Igreja têm consciência que é um dever moral de fidelidade ao Mestre Jesus Cristo, de colocar-se sempre na defesa da vida. Nos bastidores do pensamento contemporâneo, fundamentado na ética hedonista, está à determinação do homem atual, de eliminar o sofrimento. Ora, isso é falta de realismo, pois enquanto estivermos inseridos na temporalidade existencial não há como escaparmos das contrariedades e conflitos da vida. Precisamos sim enfrentar com determinação os problemas que aparecem, com seriedade e de frente. Entretanto, os atalhos não resolvem, são apenas paliativos. Infelizmente na subjacência dessa tendência está a economia que inverteu os valores, ou seja, em vez desta estar a serviço do homem e da vida, esses estão a serviço da economia. Por isso a vida deixa de ser um valor absoluto e fim em si mesmo, para se tornar meio ao mercado. A pessoa passou a ser mercadoria e isso se constitui uma tragédia da qual precisamos nos livrar. Ou invertemos esse processo, ou, sem dúvida, caminhamos para a desintegração da sociedade.
A QUEM INTERESSA RELATIVIZAR O CONCEITO DE VIDA?
Caro leitor! O princípio “Vida humana” faz parte daquilo que nós denominamos dentro de uma sociedade democrática de: “Cidadania”. Ora, essa se compõe de deveres e direitos. Portanto, tudo o que pertence aos humanos devem gozar de ambos, mesmo os que ainda não têm o uso da razão ou a perderam por alguma patologia. Por isso é um conceito que engloba a vida como um “todo”, desde a fecundação até a velhice, pois, “ética é a defesa do homem e da vida” (Enrique Dussel). Curiosamente, ao ler um texto de Karl Jaspers sobre informação e cidadania, vemos: “a veracidade confunde-se com a dignidade humana (...) só à luz da verdade e da divulgação honesta pode o desenvolvimento dos negócios políticos e econômicos levar a algo de bom. A verdade requer publicidade máxima(...) Num povo livre, a opinião pública é o fórum da política. O grau de informação de que disponha é critério de liberdade desse povo (...) A reflexão deve ser pública e preparada em público a decisão”(cf. op.cit. Introdução ao Pensamento filosófico”, Ed. Cultrix, São Paulo, SP, 12ªed., 2003,pp.96 a 99). In. A dignidade da Vida Humana e as Biotecnologias – Ed.CNBB- p.73). Na mesma obra chamou-me atenção um fato acontecido na França, seis (6) anos antes da promulgação da lei do aborto nesse país. No decorrer de um Simpósio do Clube de Imprensa Francesa se manifestaram várias tendências. Havia representantes do episcopado, da maçonaria, da loja grande Oriente, de partidos políticos que se manifestaram a favor ou contra a proteção das crianças. Uma mulher se levantou e causou suspense. Ela se negou a identificar-se e a dizer em nome de que sociedade falava. Disse simplesmente o seguinte: “Nós queremos destruir a civilização judaico-cristã e para destruir a civilização judaico-cristã temos que destruir a família e para destruir a família devemos atacá-la no seu membro mais fraco, que é a criança não nascida; por conseguinte somos a favor do aborto”. Essa pessoa proibiu os jornais de publicar tal declaração. (cf.ibidem p.73). Caro leitor! Nessa hora é que eu questiono a falta do conhecimento de muitas correntes do pensamento contemporâneo, que nos bastidores e submundo da sociedade trabalham sem cessar. Precisamos sim, estar muito mais atento a certas ideologias que circulam com fluência entre nossos estudantes, de modo especial nas Universidades que se empolgam por velhas filosofias com nova roupagem, travestidas de cordeiros mas que trazem no seu bojo a ferocidade da destruição. A Nova Era é uma delas que na sua essência não há nenhuma compatibilidade com uma sociedade saudável, assunto esse, já abordado nessa coluna. Está na hora de romper o silêncio da mediocridade, com receio de se expor na contramão de alguns pontos dúbios do pensamento contemporâneo e partir para a ação concreta.
A VIDA NA ÓTICA DO DIREITO.
Caro leitor! A constituição brasileira no art.5ºdiz: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida”. E mais: A constituição tem como um dos princípios que a fundamentam no art.1, inciso III assim: “A República Federativa do Brasil (...) constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento: III - “a dignidade da pessoa humana”. Do ponto de vista do direito todos têm direito à vida, seja deficiente ou não. E isso tem que ficar claro, pois a vida é um direito humano. A dignidade humana, prevista na Constituição, tem que estar presente em nossa realidade. A Igreja tem obrigação moral de conscientizar os cristãos na defesa da vida.
Pense e reflita.
Paróquia - Canela
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha
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Caro leitor! O princípio “Vida humana” faz parte daquilo que nós denominamos dentro de uma sociedade democrática de: “Cidadania”. Ora, essa se compõe de deveres e direitos. Portanto, tudo o que pertence aos humanos devem gozar de ambos, mesmo os que ainda não têm o uso da razão ou a perderam por alguma patologia. Por isso é um conceito que engloba a vida como um “todo”, desde a fecundação até a velhice, pois, “ética é a defesa do homem e da vida” (Enrique Dussel). Curiosamente, ao ler um texto de Karl Jaspers sobre informação e cidadania, vemos: “a veracidade confunde-se com a dignidade humana (...) só à luz da verdade e da divulgação honesta pode o desenvolvimento dos negócios políticos e econômicos levar a algo de bom. A verdade requer publicidade máxima(...) Num povo livre, a opinião pública é o fórum da política. O grau de informação de que disponha é critério de liberdade desse povo (...) A reflexão deve ser pública e preparada em público a decisão”(cf. op.cit. Introdução ao Pensamento filosófico”, Ed. Cultrix, São Paulo, SP, 12ªed., 2003,pp.96 a 99). In. A dignidade da Vida Humana e as Biotecnologias – Ed.CNBB- p.73). Na mesma obra chamou-me atenção um fato acontecido na França, seis (6) anos antes da promulgação da lei do aborto nesse país. No decorrer de um Simpósio do Clube de Imprensa Francesa se manifestaram várias tendências. Havia representantes do episcopado, da maçonaria, da loja grande Oriente, de partidos políticos que se manifestaram a favor ou contra a proteção das crianças. Uma mulher se levantou e causou suspense. Ela se negou a identificar-se e a dizer em nome de que sociedade falava. Disse simplesmente o seguinte: “Nós queremos destruir a civilização judaico-cristã e para destruir a civilização judaico-cristã temos que destruir a família e para destruir a família devemos atacá-la no seu membro mais fraco, que é a criança não nascida; por conseguinte somos a favor do aborto”. Essa pessoa proibiu os jornais de publicar tal declaração. (cf.ibidem p.73). Caro leitor! Nessa hora é que eu questiono a falta do conhecimento de muitas correntes do pensamento contemporâneo, que nos bastidores e submundo da sociedade trabalham sem cessar. Precisamos sim, estar muito mais atento a certas ideologias que circulam com fluência entre nossos estudantes, de modo especial nas Universidades que se empolgam por velhas filosofias com nova roupagem, travestidas de cordeiros mas que trazem no seu bojo a ferocidade da destruição. A Nova Era é uma delas que na sua essência não há nenhuma compatibilidade com uma sociedade saudável, assunto esse, já abordado nessa coluna. Está na hora de romper o silêncio da mediocridade, com receio de se expor na contramão de alguns pontos dúbios do pensamento contemporâneo e partir para a ação concreta.
A VIDA NA ÓTICA DO DIREITO.
Caro leitor! A constituição brasileira no art.5ºdiz: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida”. E mais: A constituição tem como um dos princípios que a fundamentam no art.1, inciso III assim: “A República Federativa do Brasil (...) constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamento: III - “a dignidade da pessoa humana”. Do ponto de vista do direito todos têm direito à vida, seja deficiente ou não. E isso tem que ficar claro, pois a vida é um direito humano. A dignidade humana, prevista na Constituição, tem que estar presente em nossa realidade. A Igreja tem obrigação moral de conscientizar os cristãos na defesa da vida.
Pense e reflita.
Paróquia - Canela
Pe. Ari Antônio da Silva – Capelão do OÁSIS Santa Ângela
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha


